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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Talvez não sejamos muitos e muitas…

… mas existimos. Somos as pessoas que, no espectro político-partidário, tal como ele se apresenta (e não o que idealizaríamos), se colocam entre o PS e o Bloco. Não gostamos do PS-centrão, com políticas neo-liberais no trabalho e na economia, e com um séquito de pessoas predispostas ao tráfico de influências. Gostamos do PS quando se apresenta do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade. Não gostamos do Bloco quando descai para a demagogia, quando arrebanha as pulsões populistas, ou quando aposta no “correr por fora” desresponsabilizando-se do governo da coisa pública. Gostamos do Bloco quando se apresenta … do lado da igualdade, da liberdade, da modernidade. Alguns e algumas de nós circulam em espaços criados para suprir esse ponto intermédio: em torno de Alegre, em torno de Roseta. Não é o meu caso. Porque acho que  sem máquina e sem diversidade de composição social não há transformação política. Mas estejamos lá ou não, estejamos no PS ou não, estejamos no Bloco ou não, partilhamos uma série de preocupações: sentimos que o sistema político português está prisioneiro de uma lógica de grande centro que cedeu demasiado ao neo-liberalismo e que um sintoma disso são as ligações ao poder económico e o tráfico de influências; cortámos há muito com a esquerda revolucionária, mas recusámos a terceira via, acreditando que é possível uma social-democracia que aposte no papel do estado e dos serviços públicos na garantia de igualdade de oportunidades no quadro de uma economia de mercado regulada e com espaço e incentivo para formas de economia solidária e cooperativa; defendemos acima de tudo a liberdade, e esta mede-se na capacidade de garantir opções e escolhas, diversidade, reconhecimento e direitos. Somos pela escolha na interrupção voluntária da gravidez, somos pela diversidade cultural no país e pelo acolhimento dos imigrantes, somos pela plena igualdade no acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, somos pela despenalização do consumo de drogas, pela laicidade o estado e pela liberdade religiosa, pela efectiva igualdade de género; somos reformistas, no sentido em que queremos transformações concretas na segurança social, na saúde, na justiça, na educação que, com base na valorização dos serviços públicos e na dignificação dos profissionais, melhorem as chances de boa vida para o maior número possível de pessoas, no tempo da sua vida, sem fazer a mudança depender do agudizar de contradições que possam levar, num futuro distante, a uma sociedade perfeita – em que não acreditamos. Não desejamos que as coisas estejam mal para podermos justificar as lutas, desejamos que elas melhorem mesmo e quanto mais cedo melhor; somos pela inovação, pelo conhecimento, pela capacidade inventiva e criadora, pela sustentabilidade energética, pela ecologia – e achamos que estas áreas oferecem o melhor potencial para o futuro económico do país, ao mesmo tempo promovendo o conhecimento, gerador de liberdade; somos por um país que mede o seu valor pelo que faz agora pelos seus cidadãos e pelas suas cidadãs, nascidos ou não aqui, falantes ou não de português, e não pelos mitos do passado, recusando o medo, o atavismo e a violência simbólica das nostalgias do salazarismo ou das utopias revolucionárias. Somos por uma União Europeia assente numa verdadeira representação democrática dos seus cidadãos, com uma verdadeira Constituição e com políticas que ajudem os países mais pobres a aproximarem-se da média comunitária. Somos pela dignificação do sistema político, trazendo para ele novas pessoas, abrindo espaços e diversidades de opiniões, exigindo accountability, e não somos pelo corte definitivo entre a cidadania e a representação ou por alternativas caudilhistas, presidencialistas ou que se deixem seduzir  por suspensões da democracia. Em finais de Setembro vamos ter de decidir em quem votamos. Sabemos que não votamos num PSD cuja líder simboliza praticamente tudo o que de negativo foi aqui elencado – uma política que aposta na negatividade e apela aos piores instintos de receio, fechamento, e honrada pobreza. E muitos e muitas de nós estamos tentad@s a votar à esquerda do PS para punir políticas concretas – laborais ou educativas, nomeadamente. Mas mais do que esses argumentos, racionais, espanta-me a onda emotiva que se instalou, para lá das queixas justas, através da repugnância em relação à figura de Sócrates, pintada com as cores da arrogância e do autoritarismo. Ela assenta, a meu ver, num equívoco de percepção: a ideia de que um líder de esquerda deveria ser ou uma figura de bonomia (Alegre?) ou de inflamação revolucionária (Louçã?) – mas nunca uma figura que governa no seu estilo próprio e sem obedecer a um guião estético ou a um folclore de referências específico. Nesse sentido, Sócrates não “bate certo” com o guião cultural português (daí as acusações, como as de autoritarismo e arrogância, que não conseguem, a meu ver, acertar no alvo). Neste momento de crise (que obriga o PS a pensar os erros da deriva neo-liberal da terceira via e do centrão), de desgaste do governo, de acumulação de asneiras por muitos ministros; neste momento de criação de um clima de “derrota” (estabelecida pelos mecanismos retóricos e publicitários de uma comunicação social que em Portugal, ao contrário do resto da Europa, é estruturalmente conservadora); neste momento em que o PS pode (e deve) ver-se obrigado a pensar à esquerda e a pensar em diálogos com muitos cidadãos e cidadãs das várias esquerdas, é o momento de escolher por onde passa a linha divisória entre esquerda e direita. Pessoalmente não acredito que ela passe entre o PS e o Bloco. Acredito que ela passa entre o PSD e o PS. Não quero o regresso do PSD, muito menos do PSD personificado por Manuela Ferreira Leite ou Santana Lopes. Não concordo com várias das políticas deste governo PS que agora termina. Não vi, ainda, o Bloco sair da lógica do “quanto mais dificuldades e tensões sociais melhor”, que o leva a apostar mais no “correr por fora” do que a valorizar as ideias e modos de uma das suas correntes fundadores (a que pertenci), a Política XXI. Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda. Justamente num dos piores momentos por que aquele partido passa, e sem qualquer intenção de aderir de novo, enquanto filiado, a um partido, votarei pela primeira vez na vida no PS.

79 Comentários »

  GP escreveu em 11.July.2009 | 13:50

Se isto fosse o facebook, punha aqui uma daquelas mãozinhas com o polegar espetado para cima.

  escreveu em 11.July.2009 | 14:44

Gostei de ler. Pertinente e foca os pontos essenciais.

  Miguel Lobo escreveu em 11.July.2009 | 15:15

Na gíria do meu meio relativamente modernizado, resumir-se-ia o seu percurso na singela palavra de loser… mas acho que pode ser demasiado simplista, embora se aplique bem. De qualquer forma, “sinais de um projecto de modernização para o pais…” em Sócrates. Bolas, acho que não anda muito bem acompanhado nos últimos tempos; e também sou dessa esquerda que não se identifica nem com o Bloco nem com o PS, ou qualquer outro partido de esquerda, claro. Acho que já faltou mais para andar a dizer que as paradas de orgulho gay são um evento folclórico e espalhafatoso que só dá mau nome à causa (tou só a brincar… quer dizer, mais ou menos)

  RAMIRO LOPES ANDRADE escreveu em 11.July.2009 | 16:22

UM REINO DE FAZ DE CONTA CHAMADO - PORTUCALE
.
ERA UMA VEZ UM REINO CHAMADO PORTUCALE. TODOS VIVIAM FELIZES COMO SE O AMANHA NAO EXITISSE.

OS GOVERNANTES GASTAVAM O DINHEIRO DOS CONTRIBUINTES SEM CRITERIO E SEM LIMITES. COMO OS IMPOSTOS QUE ARRECADAVAM NAO ERAM SUFICIENTES, IAM BUSCAR A BANCA INTERNACIONAL O QUE SE GASTAVA A MAIS. ( ARRECADAVA-SE 100 EUROS E GASTAVA-SE 120 EUROS ).

DESDE 1995, O DEFICIT DE GASTOS EM RELACAO A ARRECADACAO DE IMPOSTOS ACRESCENTAVA ENTRE 5 A 7 % A DIVIDA EXTERNA DE PORTUCALE, ATE ATINGIR EM DEZEMBRO DE 2008 — 348 MIL MILHOES DE EUROS.

UM CERTO DIA …… A BANCA INTERNACIONAL FEZ UM MANGUITO , E LHES DISSERAM: ( CARO REINO DE PORTUCALE, A PARTIR DE HOJE, SE ACABARAM OS EMPRESTIMOS, E TERAO QUE PAGAR AS AMORTIZACOES E JUROS ).

FOI O AI JESUS …………… ENTAO O GOVERNO DESTE REINO DE FAZ DE CONTA CAIU NA REALIDADE, E BATEU DE FRENTE EM UM MURO DE BETAO BEM FORTE.

QUAL O CAMINHO DA SOLUCAO ? E SIMPLES:

- VENDER TODOS OS BENS DO ESTADO
- PRIVATIZAR A SAUDE, TENDO TODOS QUE PAGAR FORTE E FEIO TODOS OS
TRATAMENTOS E CONSULTAS
- CORTAR NOS GASTOS DE EDUCACAO
- CORTAR NOS GASTOS DAS FORCAS ARMADAS QUE ESTAO NO ESTRANGEIRO
( TIMOR / AFEGANISTAO / BOSNIA / ETC ………… )
- VENDER OS DOIS SUBMARINOS QUE CUSTARAM 1,2 MIL MILHOES DE EUROS
- PAGAR OS JUROS E AMORTIZACOES DA DIVIDA EXTERNA DURANTE DECADAS
- ACABAR COM O SUSTENTO DOS CHULOS DA SOCIEDADE ( OS COITADINHOS
DOS CIGANOS E TODAS AS ETNIAS QUE VIVEM AS CUSTAS DOS CONTRIBUINTES )
- IMPOR LIMITES A TODAS AS REFORMAS DE NO MAXIMO 4.000,00 EUROS / MES
( MAIS QUE SUFICIENTE PARA VIVER DIGNAMENTE )
- PAGAR APENAS UMA REFORMA PARA CADA PENSIONISTA ( ACABAR COM A MAMA DO PAGAMENTO DE DUAS, TRES E QUATRO REFORMAS AO MESMO TEMPO )
- CACAR SEM DO NEM PIEDADE QUEM FOGE AOS IMPOSTOS

DEPOIS DE APLICADOS ESTES REMEDIOS AMARGUISSIMOS DURANTE PERTO DE 10 ANOS, SEM FUGIR UM MILIMETRO. AI TERA O REINO DE PORTUCALE ATINGIDO O EQUILIBRIO.

E CLARO QUE O ZE POVINHO NESTA ALTURA JA TERA MORRIDO, E OU EMIGRADO EM MASSA, POR NAO AGUENTAR MAIS VIVER SEM ESPERANCA.

ESTA REALIDADE NO REINO DE PORTUCALE, E QUALQUER SEMELHANCA COM PORTUGAL ( ESTE RETANGULO PLANTADO A BEIRA MAR ) NAO E MERA COINCIDENCIA …………………………….

OS ANOS VINDOUROS SERAO DURISSIMOS, E COM ESTA CORJA QUE NOS GOVERNA, E NOS DESGOVERNARA NOSSAS VIDAS, NAO TEREMOS A MENOR HIPOTESE.

ABSTENCAO EM FORCA NAS PROXIMAS ELEICOES LEGISLATIVAS E AUTARQUICAS 2009.

UM ABRACO DEMOCRATICO.

RAMIRO LOPES ANDRADE
ramirolopesandrade.blogspot.com

  Jorge Salema escreveu em 11.July.2009 | 16:52

Curioso que só agora tenha entendido que para essa agenda o único partido a votar seja o PS. Este leitor interroga-se, por onde tem andado MVD?

Só agora entendeu as intenções do Bloco?

Acho estranho o pudor com que os intelectuais “progressistas” falam do seu voto. A esquerda que proclamam nunca é a esquerda que o odioso sistema partidário disponibiliza. è sempre outra coisa, mas nunca uma que os eleitores se identificam.

O partido Democrata (demasiado à direita para este comentador) aglutina, como o Republicano diversas sensibilidades. Porque não se passa algo semelhante entre nós? Como chegamos outra vez a um ponto em que a esquerda parlamentar (O PS é um partido Social democrata e por isso é indubitavelmente de esquerda) pode n ser capaz ainda que em maioria absoluta de assegurar um governo?

Jorge Salema

  jpt escreveu em 11.July.2009 | 17:51

Concordo com o essencial do texto, excepto, claro, a conclusão. Também eu gostaria de um partido “radicalmente” social-democrata. Também eu acho Loução estridente nos argumentos e a resvalar para o populismo. O BE está em expansão, mas Louçã faz o Bloco perder votos (ou deixar de ganhar) cada vez que fala. Só não entendo porque é que o Miguel foi o seu mandatário de campanha. E não entendo, claro, o voto no PS. Porquê logo agora, com o primeiro ministro mais à direita que o partido conheceu. Considero-me próximo politicamente de muita gente da ala esquerda do PS, só que a ala esquerda do PS nunca chegará ao poder. Nunca chegou, todos os governos do PS foram apenas timidamente de esquerda. O PS só é verdadeiramente de esquerda quando está na oposição, e isto também é populismo. Acho que o Miguel está a valorizar os ditos temas “de sociedade” (aborto, direitos LGBT, etc)em detrimento dos económicos e sociais, onde este governo é um desastre. E é preciso um enorme grau de ilusão para pensar que o PS, de volta ao governo, não volte com a palavra atrás nesses temas por motivos meramente estratégicos. E quando isso acontecer e quando o próximo governo PS, com o seu voto, nos brindar com um código do trabalho pior ainda ou com universidades ainda mais mercantilistas, cá estaremos para, democraticamente, lhe dar umas caroladas virtuais.

  João Martins escreveu em 11.July.2009 | 17:54

Concordo com tudo o que o Miguel disse. A conclusão final em relação a Sócrates é surreal. Bom, o homem defende o que eu também defendo e aquilo pelo qual o Miguel já é um simbolo nessa luta: A igualdade de direitos entre homens e mulheres de todo o género. Isso só por si não legitima a dominação de um líder que foi um desastre para a Nação. A votação nas legislativas vai estar aí para dizer alguma coisa. A não ser que o Miguel seja um pouco como o outro Miguel: oTavares. A culpa é deste maldito povo que não se deixa reformar!

  Marcio Almeida escreveu em 11.July.2009 | 18:32

“(que obriga o PS a pensar os erros da deriva neo-liberal da terceira via e do centrão)”

É totalmente errado pensar que o PS enverdou pelo neoliberalismo por engano, foi bem pensado e essa lógica há-de perdurar, não se farão rupturas sérias dentro de um partido que transferiu para si todos os interesses e lógicas privadas que “no bom tempo da social-democracia” apenas eram apontadas à direita.

E se analisarmos a evolução política do Partido “Socialista” vêmos que a inflexão liberal se tem vindo a acentuar.

A diferença entre o PS e o PSD são praticamente nulas, uns gostam-se de dizer de esquerda e os outros não se dizer de direita… no que toca a política laboral e obras públicas são exactamente igual, o que difere mas pouco é no que toca nas liberdades individuais.

Eu percebo que hoje puxes para o PS - o que me desilude profundamente - é que se o PS renovar a sua maioria (que espero que não aconteça) verás com quem governará, e viras novamente para este mesmo blog queixar-te “ai que este PS é tão liberal e privatizador”.

- Tratado Europeu (não referendado)
- Código Laboral (não revogado)
- Estatuto da Carreira Docente
- Galp (privatizada)
- BPN (nacionalizado)
- Casamento entre pessoas do msm sexo (não estava na agenda)
- Ensino Superior (aumento propinas, RJIES, Empréstimos)
- EDP (redução da goldenshare)
- Serviços Públicos (taxas moderadoras, aumento do preço da electrecidade)

(…) and so on.

É este o Partido Socialista que temos - nada que o Partido Social-Democrata não faria e não continuará a fazer.

O PS de que falas é uma imagem ídilica que não existe, nem nas autarquias nem no governo. O centro será sempre o centro, as divergências aparecem para se ter que lutar por algo e aparentar que existem diferenças para se garantir a alternância e o equilíbrio falaciosos do bipartidarismo português.

Enfim, lá saberás porque puxas pelo voto para o Partido Socialista, será desilusão atrás de desilusão.

  kool escreveu em 11.July.2009 | 18:45

Faz cá falta um partido como os Verdes da Alemanha.

  mvda escreveu em 11.July.2009 | 20:42

Fui , junto com a Marisa Matias, “mandatário para a igualdade” e não mandatário. Fui-o convictamente, e foi uma excelente plataforma para a promoção de questões de igualdade de direitos.

  mvda escreveu em 11.July.2009 | 20:46

Erros não são enganos, são mesmo erros. Aparte isso, acho mesmo que há um pragmatismo necessário à política: tentar mudar, com mais e diferente gente. Pragmatismo esse que não quer dizer, de todo, desistir e aceitar as coisas como são.

  José Manuel Faria escreveu em 11.July.2009 | 21:35

Votas PS, mesmo sem conhecer os candidatos a deputados!

  Afonso escreveu em 11.July.2009 | 21:54

Abster-me-ei. Discordo do modelo económico protagonizado pelo PS. Mas também não me enquadro nas ideias de privatização da Saúde e da Educação. Diria que estou entre o PS e o PSD. E jamais votaria neste centro-direita tacanho e descriminatório.

  cmc escreveu em 12.July.2009 | 9:47

Excelente texto - obrigada.
Por momentos, acreditei - quis mesmo acreditar - que os “parágrafos” iniciais apontavam o holofote a uma anúncio: o da apresentação de um novo partido, ou pelo menos de um movimento com aspiração a voz parlamentar, no qual pudessem votar as pessoas que se reconhecem no que expôs. Eu estaria entre elas. É pena que a conclusão esteja confinada ao horizonte das próximas legislativas; é pena que um texto lúcido e tão pertinente se conclua apenas numa intenção de apoio a um mal menor.

  Catarina escreveu em 12.July.2009 | 12:09

Por mais que o PS tenha cometido muitos erros, há que pensar que entre eles e a MFL, mil vezes mais o PS.
Privatização da saúde? Vamos ficar dependentes de seguros de saúde de valor elevadissimo e sem se ter a certeza que na altura necessária a ajuda vem? Depois de se ter conhecimento de outros países em que a saúde não está acessível para todos e todos os problemas que causa, como é possível alguém defender isso? Só os ricos querem isso, ficam mais ricos ainda com a desgraça dos outros.
E a educação? Vamos cultivar a educação para criar meros operários em cada área como na América em que se tem pagar toda a educação? Fazê-la só acessível a quem tem dinheiro?
Resta saber o que ela quer fazer mais e que não tem coragem de dizer.
Por favor! Vou votar PS, tb pela 1ª vez, só para não ter que pensar em mudar de país.

  Nuno Bettencourt escreveu em 12.July.2009 | 16:46

Não sou capaz de votar Sócrates, não me revejo neste PS. Embora admita que Sócrates tenha imprimido uma força anímica na vida política portuguesa, trouxe-me muita desilusão. Passo a explicar:
1. vivemos num estado sem justiça; ainda
2. a corrupção grassa a olhos vistos; em todos os níveis da sociedade
3. os valores éticos e de transparência não são valorizados; tudo é desculpável e a sensação de impunidade é gritante
4. as políticas neo-liberais nunca foram tão exaltadas e aplicadas, com os resultados a nível global que todos conhecemos
5. a gestão portuguesa é, regra geral, mal instruída, voluntarista, mal planeada, desfocada, opressora. Aqui reside, na minha opinião, parte substancial do atraso económico português
6. os portugueses emigram, muitos ainda sem educação. Não temos certeza da educação dos que cá ficam
4. os hospitais parecem casernas; o doente ainda não é o centro do sistema.
5. as injustiças sociais são tremendas: pobreza crónica crescente, desigualdade entre géneros e orientação sexual
5. têm sido anos de mentiras, ilusões, planos não cumpridos, confusão, frustração, desilusão, desnorteio, atraso.
Para mim, embora muitos possam classificá-la como catastrofista, é a minha visão do país que temos em democracia. E, tendo todos uma parte na culpa, as fatias grandes cabem ao PS e ao PSD.
Por isso, e porque não acredito em mais nada que venha do Rato ou da Lapa, acredito que nos falta pensar politicamente na ética, transparência e verdade como pilares de uma sociedade progressivamente mais igual e justa, mais rica, mais solidária.
Não é o PS nem o PSD que poderão fundar a sociedade da ética, transparência e verdade. Não existe, no nosso discurso político actual espaço para estes valores. Será necessário um novo olhar, novos braços, novas gentes. Não sei se à direita do bloco, ao lado do PS, debaixo do PSD… É a social-democracia? É. Falta fazê-la em Portugal.

  bmpd escreveu em 12.July.2009 | 18:43

que recuado meu deus.

  a.pacheco escreveu em 12.July.2009 | 22:21

Pois é , Socrates e a sua politica neo-liberal apoiada no essencial pelo PSD, conduziu-nos á situação em que estamos hoje.

O centrão já mostrou á saciedade que não é alternativa.

E apesar disso, o MVD vota PS.

Totalmente contraditório, pois os argumentos que apresenta só poderiam conduzi-lo a duas situações , o voto no BE, ou a abstenção.

Afinal diz que vota PS, pois eu voto BE.

E se concordo consigo de que o BE tem de se assumir claramente como alternativa de poder.

Discordo da CARICATURA que faz do Louçã, até porque conhecendo-o como o MVD o conhece , sabe que o pseudo retrato que pretende traçar dele, em nada corresponde á realidade.

Até me admiro como não utilizou outro chavão tão na moda …Parece um padre….

  peg solo escreveu em 12.July.2009 | 22:52

li o texto ainda a pensar que ia chegar à linha em q eu ia pensar, afinal não há concordancia total, tal nao aconteceu, simplesmente considerei q ja q tenho mais umas semanas p ouvir o q o PS e o BE têm a dizer em campanha assim o farei. esperando q o PS vire à esquerda e q o BE vire p o lado duma maior sensatez politica.
de resto optimo texto!
ps.: e um obrigada por td o tem feito.

  Pinguim escreveu em 13.July.2009 | 2:38

Perfeitamente de acordo consigo.
O meu voto será PS!

  Ana escreveu em 13.July.2009 | 15:04

Apesar de ter gostado do post - e da entrevista no Público - não conseguirei votar no PS nem mesmo morta!!!

  mvda escreveu em 13.July.2009 | 15:21

Eu percebo-te perfeitamente, Ana. No fundo, vamos estando todos em momentos diferentes e sensibilidades diferentes de uma mesma coisa.

  francisca escreveu em 13.July.2009 | 15:59

Parafraseando alguém que aqui deixou o seu comentário:
Se isto fosse o facebook, poria uma daquelas mãozinhas com o polegar espetado para baixo.
E porquê voltado para baixo? Porque o senhor José Sócrates está neste momento a fazer o discurso que lhe convém e que pretende agradar precisamente, a quem não se revê nos outros partidos. Porém, é bom não esquecer as barbaridades que ele cometeu nestes últimos quatro anos (EU CERTAMENTE NÃO VOU ESQUECER NUNCA!!!!)

  Susana escreveu em 13.July.2009 | 16:25

Gostei do texto e particularmente da conclusão. É preciso coragem para estar contra-corrente. O Miguel é bom nisso! By the way: apontem um, só um, primeiro-ministro português melhor que Sócrates?

  SM escreveu em 13.July.2009 | 20:13

Pois… Eu, pelas mesmas razões, também irei votar PS.

  Gonçalo escreveu em 13.July.2009 | 21:54

Perfeito! Diz tudo o que é preciso!
Principalmente porque a posição de que “tudo o que o PS faz, está mal” já cansa.

Já agora, parabéns pela entrevista no Ípsilon, também óptima!

[…] «Somos as pessoas que, no espectro político-partidário, tal como ele se apresenta (e não o que i… […]

  José Luiz Sarmento escreveu em 13.July.2009 | 23:44

Um primeiro-ministro melhor que Sócrates? Todos os que vieram antes dele. Sócrates vai ficar na História por ter sonegado aos portugueses um referendo que lhes permitiria pronunciar-se contra o Tratado de Lisboa - um documento que constitucionaliza o neoliberalismo e acabará, se for posto em prática, com qualquer possibilidade de democracia na Europa. Sócrates fez aprovar um código laboral ainda pior que o de Bagão Félix. A maioria parlamentar de Sócrates opôs-se determinada e sistematicamente a tudo o que pudesse combater a corrupção - o que faz do actual PS, de acordo com o princípio que tão ladrão é o que vai à vinha como o que fica à porta, o partido mais corrupto da nossa história recente.
O PS não é, de resto, um partido, é uma ala - não sei se de esquerda - do PSD/PS, ou seja, o partido dos Interesses contra a República. À falta dum Partido Republicano no sentido etimológico do termo, ou seja, defensor da res publica, vou votar BE nas próximas eleições.

  viana escreveu em 13.July.2009 | 23:50

mvda vota PS porque não. Literalmente porque não. Porque não quer que o PSD seja o partido mais votado. Porque tudo aquilo que afirma defender, não encontra entre as políticas do PS, mas sim nas do Bloco de Esquerda. Afinal a única coisa que diz encontrar de positivo no PS é um vago projecto de modernização do País, o qual o deve entusiasmar de tal maneira que nem sequer o tenta descrever, talvez com receio de parecer um pouco… ridículo.

É patente que mdva ficou embevecido com o apoio de Sócrates à legalização do casamento entre homossexuais (depois de dar instruções ao PS para chumbar a proposta do BE no parlamento), e julga ter para com ele uma dívida de gratidão. Talvez até receie, o que me parece infundado, que caso o PS tenha menos votos que o PSD, Sócrates se demita e um novo líder seja socialmente mais conservador. Não deixam de ser razões válidas. Mas redutoras da política à defesa egoísta de causas particulares. Quantas mais pessoas vão sofrer por causa das políticas de Sócrates para a Educação, para a Saúde, para o Trabalho, porque há quem as secundarize perante causas particulares, por mais meritórias que sejam?

O efectivo apelo ao voto útil no PS, pois não vejo nada mais do que isso no texto publicado, não faz sentido para quem se reveja mais nas políticas do BE (ou do PCP). Escolher entre votar BE ou PS não é equivalente a escolher entre um governo PSD ou um governo PS. É escolher entre uma maioria parlamentar solidamente, e incontornavelmente ancorada à Esquerda, ou uma maioria parlamentar re-legitimizada nas suas políticas actuais, de todos conhecidas. Sócrates não se arrependeu, nem nunca se arrependerá do que fez. Iludam-se os que pensam que por ganhar de novo ele mudará. Seria um completo contra-senso.

  Filipe Gil escreveu em 14.July.2009 | 9:55

Grande texto. Revi-me completamente nas linhas que escreveu.

  pedro escreveu em 14.July.2009 | 10:26

Li o texto e toda a sua argumentação, mas fico com a ideia que muitos como o Miguel vão ter que engolir um grande sapo para votar no ps. O medo de ver a ferreira leite a governar vai valer muitos votos ao ps. É triste termos chegado a este ponto.

  fernando rosa escreveu em 14.July.2009 | 11:47

concordo que MFL será o pior de todos os cenários, e espero sinseramente que isso nao aconteça. Quanto ao PS levou o meu voto pela última vez á quatro anos.
Prefiro as supostas demagogias do Louçã baseadas no desejo de liberdade e de igualdade, às grandes hipocrisias autoritárias de José Socrates. A esquerda precisa de uma viragem e essa viragem ja não se faz com meias medidas, com um passo de cada vez e com promessas que serão cumpridas se a direcção do vento for favorável nesse dia. Mas ainda bem que hà diversidade, quem sabe assim todos ficamos representados.

  jafonso escreveu em 14.July.2009 | 12:56

Só tenho que o felicitar por este excelente post. Também eu vou votar, mas pela segunda vez na minha vida, PS. Estou farto da “esquerda” demagógica, inconsequente, gestora do impossível e que se propõe fazer Lisboa ouvir por uns anos os concertos para violino do Chopin.

  Ricardo Alves escreveu em 14.July.2009 | 13:34

É um bom texto, mas a conclusão fica por fundamentar. A não ser que seja pela negativa: Sócrates é o anti-MFL. E justamente: será? Onde estão os «sinais» do tal projecto de Sócrates?

Quanto ao melhor Primeiro Ministro dos últimos anos: Ferro Rodrigues.

  Francisco Clamote escreveu em 14.July.2009 | 14:09

Aplaudo e peço licença para citar .

  Pinguim escreveu em 14.July.2009 | 14:35

Caro Miguel
tomei a liberdade de transcrever este seu texto no meu blog, claro que devidamente identificada a sua autoria. Espero que não considere tal um abuso, mas apenas uma enorme concordância com o seu teor.
Abraço.

  Mauro Burlamaqui Sampaio escreveu em 14.July.2009 | 16:03

Bom texto ,desenvolve o principal problema neste momento do PS e da esquerda .Quase tudo está nas mãos de Manuel Alegre ou dentro da esquerda do Partido Socialista. Se o partido Socialista tiver maioria relativa caberá a Manuel Alegre e outros fazer o PS governar junto com toda esquerda.

As instituições Portuguesas e o Bloco político central abriram um precedente muito grave ao não condenarem os criminosos responsáveis do BPP , BPN , autarcas etc . O país perde credibilidade mas, já percebi que os Portugueses não estão preocupados em ser credíveis , pelo menos é essa a realidade
do Bloco central que alberga quadrilhas protegendo seus pequenos interesses e ignorando o País real .

Sem estratégias a espera dos milagres financeiros ou do crescimento dos grandes grupos… deu no que deu.

A entrada possível do PSD no Governo condenará o País de forma muito grave e haverá uma nova debandada de cabeças e pessoas com capacidades produtivas assim como de investimento . Estive 20 anos no partido Socialista agora sou independente pelo Bloco de Esquerda observo o jogo na arquibancada oxalá, às eleições ajudem a contornar a situação se assim não for… sigo para Portela e como já tem sido muito dito na comunicação social ; o último a sair que feche o aeroporto .

Mauro Burlamaqui Sampaio

  cinco dias » O que se passa com Esta Esquerda? escreveu em 14.July.2009 | 17:04

[…] ou é irresponsável, no fundo, não constitui nem nunca constituiu alternativa. O texto de Miguel Vale de Almeida, é uma pérola política. Vale de Almeida procura que o leitor se identifique, fala de um […]

  António escreveu em 14.July.2009 | 17:12

Sou militante do PS. Sou de Esquerda. Não a esquerda do Alegre, mas e esquerda que representa o Partido Socialista. Não poderia estar mais de acordo com estas sábias palavras que o Miguel Vale de Almeida publicou. É nestes momentos que a oportunidade de afirmar os valores de esquerda não se podem desperdiçar. Vejo por aí muitos à esquerda que parecem desejar um governo MFL/ Paulo Portas. Não.É tempo de votar PS, e de concentrar esforços numa aproimação gradual entre PS e BE que, um dia, possibilite um Governo da Esquerda Plural.

  jmac escreveu em 14.July.2009 | 17:54

’sem obedecer a um guião estético ou a um folclore de referências específico’?!?!??!

j

  Francisco escreveu em 14.July.2009 | 19:02

Caro Miguel
Não é apenas bizarro que um activista LGBT apele ao voto no PS - o partido que mais instrumentalizou e manipulou aquilo que para as pessoas decentes deveria ser um impoluto princípio ético - a tolerância. Preocupante, por isso mesmo, essa tua acusação de demagogia e populismo ao Bloco e de inflamação revolucionária a Louçã… Espero que não chegues àquele ponto de inflexão onde a esquerda das ideias que o Bloco representa passe a ser olhada como “moralista” “esquerda caviar” e demais barbaridades tão próprias da direita. Tomo este teu apelo ao voto útil no PS como um sintoma do estado de depressão do país, pelo qual suponho que te deixaste contagiar. O Sócrates e o partido que o tem apoiado não te merecem, nem a ti nem à esquerda de que falas no teu texto.
Abraço

  Isabel escreveu em 14.July.2009 | 20:54

estou atónita com esta conclusão.
para mim, este é um tiro no pé numa luta tão importante!
na maioria relativa que sócrates pode alcançar,pode muito bem escolher para aliados o cds ou mesmo o psd.
o mais importante para esta e outras lutas da esquerda é que os partidos da esquerda, digo pcp e bloco, tenham muitissímos mais votos, como a única forma a obrigar o ps a legislar à esquerda

  Génese de uma cruzinha at Aspirina B escreveu em 14.July.2009 | 21:48

[…] outros méritos, esta declaração de voto do Miguel Vale de Almeida destina-se a pessoas de compreensão lenta. Para as outras, informo que a […]

  Caty Waves escreveu em 14.July.2009 | 22:49

Que Sócrates é um político fora de série já toda a gente o percebeu.
Nunca um político em Portugal falou com a determinação e o positivismo com que ele fala. Qualquer outro político ou política que venha falar no mesmo registo para nós ressoa a falso, ressoa a cópia. Comparo Sócrates a Mourinho. Sócrates é claramente o Mourinho da política.
Tem um ponto fraco - são as escolhas que faz, como o provam a escolha de Mário Soares (a idade não perdoa e incidentes como Manuel Alegre também não) e a escolha de Vital Moreira.
Quanto ao resto, as legislativas, não são entre o Ps e o Psd. Não. Este Psd não existe, é uma manta de retalhos, um farrapo de nichos de interesses localizados, com uma líder fraca, frouxa e inábil para passar mensagem. Creio que Ferreira Leite é a mais fraca líder que o Psd alguma vez teve só comparável com uma anedota chamada Santanha Lopes (que chegou a 1º ministro sem ser líder do partido).
Nas legislativas as escolhas são entre o Ps e os Corporativismos em Portugal. Votar noutro partido sem ser o Ps é o mesmo que votar nos Corporativismos como se fosse um só partido.
Votarei Ps porque, apesar de desde sempre todos o terem prometido, nunca outro partido fez o que Sócrates fez - ‘pegar no touro pelos cornos’. Sem medo, tudo em nome de um futuro de mais justiça social. Mais socialista. A tarefa está feita? Não obviamente, ainda há muito que fazer. Foi pouco? Foi muito? Foi o que foi, mas uma coisa é certa…foi mais do que aquilo que os anteriores fizeram. E isso diz tudo.
Iremos nós todos como povo retirar forças a quem ousou fazer tanto pelo colectivo?
Da minha parte não lhe retiro forças, reforço-o.

  Rosalina Simão Nunes escreveu em 15.July.2009 | 2:05

“Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates…” - Era preferível ter-se mantido na escuridão.

  Valter escreveu em 15.July.2009 | 9:39

Somos isto, somos aquilo e mais não bem o quê. Mas na hora de votar, não interessa o somos? Nem dá para acreditar na forma como acaba o texto, depois de tudo o que foi atrás escrito. É deixar cair em saco roto tudo aquilo que o Miguel diz que “somos”…

“Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país” ??? Definitivamente não estamos a ver o mesmo filme…

  Levy escreveu em 15.July.2009 | 11:17

Mas está a escrever em nome de quem? Dos homossexuais? Agora fala em nome deles?

  Deolinda escreveu em 15.July.2009 | 11:30

Supina inteligência, nesta campanha a favor de Sócrates!…
Mas a questão é: com Sócrates, mesmo em minoria, sabemos o que nos espera; a MFL, damos o benefício da dúvida…
Ele matou a esperança. Ela, ainda, permite sonhar…

  mvda escreveu em 15.July.2009 | 12:25

Em nome de ninguém. É uma retórica para que alguns possam identificar-se com o que escrevo no texto. Não percebe isso da leitura?

  Carlos Cunha escreveu em 15.July.2009 | 12:44

Muito bem escrito mas absolutamente falso!
É certo que o PSD da MFL ou do SL não são capazes de governar Portugal, mas tão poco o PS sabe governar. A mentira, a corrupção e o deslizar constante do nivel de vida do povo trabalhador para a valeta (O risco de pobreza em portugal é o mais elevado nos paises da CE) devem levar todo o eleitor a reflectir.
Se o meu amigo vai votar pela 1º vez no PS (nem quero perguntar onde votou anteriormente) é porque deve ter um tacho qualquer…ou então é masoquista!
Por mim e visto que nem o PSD nem o PS interessam convido todos os eleitores a meditarem (Desde a revolução de 74 que estes dois partidos têm alternado no poder e vejam aonde nos levaram) e que em consciencia com os seus interesses votem.
Quem for de direita vote abertamente CDS/PP quem for de esquerda vote abertamente BE ou PCP, mas nunca, nunca PS OU PSD! Estes “senhores” devem ser DESPEDIDOS!
Claro que inumeros BOYS tanto dum partido como doutro votaram em si próprios, pudera os tachos depemdem disso! e vão fazer crêr ao eleitorado que o voto útil é preciso ( o miguel vale de almeida está a fazer isso mesmo no seu blogue) obrigando-nos novamente a engulir sapos!
Nem Pensar! Pior do que o estado a que chegamos é impossivel! não há nada a perder tudo a ganhar! Yes we Can! Vamos mudar! Está na hora!

Nem o PS terá a maioria nem o PSD. Para tentarem (desesperadamente) obter mais votos dizem que não se coligarão para formar governo, mas é isso mesmo que farão para salvarem os seus tachos, pois é de tachos que se trata uma vez que a politica é identica!

Caso o PSD vença sem maioria (e não opte por se coligar com o PS) coliga-se de certeza com o CDS/PP, e aqui qual a vantagem do eleitor que é de direita , do CDS e foi votar PSD? Caso o PS vença (sem maioria como é certo) e não opte por se coligar ao PSD coliga-s com o CDS (o CDS quer estar no poder e o PS não têm dignidade nem vergonha) ou então com o BE (aqui veremos se o BE dá o dito por não dito) mas assim podemos ver que o PS para governar alia-se a qualquer um (da direita à esquerda) o que nos leva a concluir que o Voto útil é em qualquer partido que não o PS ou PSD.

Pensem bem nisto e votem de acordo com as vossas tendências politicas!

O politicamente correcto do nosso miguel vale de almeida só interessa a quem tem(ou quer ter) Tacho, não a quem trabalha!

Bom verão!

  HH escreveu em 15.July.2009 | 13:13

Melhor que votar nos vermes do PS ou do Bloco seria polverizar o país com gasolina e atear fogo a tudo.

Se, por desgraça, estes bandiso do PS ou da esquerda stalinsta fundamentalista ganhassem outra vez, Portugal tornar-se-ia um gigantesco campo de concentração com a revolução cultural de Mao por ideologia.

  Marco Alberto Alves escreveu em 15.July.2009 | 14:11

Concordo plenamente com a maior parte do teor deste Artigo. Votar não é, de facto, uma opção simples. Votar em Portugal, hoje, para alguém que se reclame de Esquerda, ainda por cima com um só voto, então, é uma opção mesmo muito complexa. Obriga a concentrar nesse voto todo-poderoso (para a nossa expressão) todas as nossas preferências e, ao mesmo tempo, todas as nossas recusas. Uma escolha tão difícil e, de certa forma, tão violentadora da nossa própria consciência, que considero até constituír um dos mais sérios “incentivos” à abstenção!

Em alternativa, seria bastante mais fácil votar usando o Método de Borda (célebre Matemático francês do Séc. XVIII), considerado o método mais democrático matemáticamente possível (e os Matemáticos já o demonstraram científicamente). Pena que só seja utilizado em votações menos “nobres”, como os Festivais da Canção, ou os concursos das “misses”, por exemplo…

Nesse método, cada votante (pessoa, País, jurado…) dispõe de um número fixo de votos, ou pontos, que pode atribuir distribuindo pelas várias alternativas à escolha. No caso das Legislativas, seria como se cada um de nós, eleitores, dispuséssemos de, imaginem, até dez votos para utilizar como quiséssemos. Poderia até optar-se por usar menos do que esses dez votos, ou mesmo nenhum (o que equivaleria à opção “VOTO EM BRANCO”).

Mas com esses dez votos, cada um de nós conseguiria saír muito mais satisfeito da cabine de voto e ciente de que tinha expresso com muitíssimo mais rigor a sua preferência política, quer pela positiva, quer pela negativa!

Interpretando este Artigo à luz desta possibilidade, permito-me supôr que, se lhe fosse dada esta alternativa, o Miguel Vale de Almeida já não “votaria P. S.”, apenas, mas sim daria para aí uns oito ou nove votos a Sócrates e um ou dois a Louçã. E sentir-se-ia muito mais bem representado, pessoalmente, na contabilidade eleitoral!

Assim me parece, aliás, que votaria a maioria dos comentadores, tirando aqueles mais ferrenhos que poderiam livremente continuar a dar os seus dez votos todos ao B. E., ao P. C. P., ou a qualquer outro Partido, evidentemente.

Eu gostaria muito de ver a Democracia evoluir, tecnica e sobretudo moralmente. Sim, porque parece-me consensual que a Democracia, na sua formulação actual, não pode ser vista como uma construção acabada. Que época afortunada (ou desgraçada?…) seria a nossa, se assim fosse.

E essa evolução deveria, entre muitas outras coisas (orçamento participativo, etc.), começar primeiro por trazer para o debate político de topo este tipo de questões e, finalmente, um dia, adoptar mesmo este método de votação para todos os cargos multi-nominais, como sejam os do Parlamento Europeu, os das Assembleias da República, Regionais, Municipais e de Freguesia, os das Câmaras Municipais e os das Juntas de Freguesia.

Vai uma aposta em como os níveis de abstencionismo diminuiriam drásticamente, uma vez interiorizado este método no eleitorado?

Por mim, se pudesse votar assim já em Setembro, daria seguramente sete votos, pelo menos, ao P. S., com moderado entusiasmo, e no máximo três ao B. E., com cauteloso cepticismo.

E sairia muito mais feliz da câmara de voto do que sendo obrigado, como serei, a dar TUDO a uma só lista…

P. S.: Há um método, ou melhor um expediente, algo manhoso, concedo, para contrariar esta fatalidade e que eu costumo usar, à la longue, o qual consiste em diferir a deglutição dos nossos “sapos” no tempo: por exemplo, nas últimas Legislativas votei B. E., com pena de não poder votar também P. S.! Agora, com pena de não poder votar também um pouquinho no B. E., vou compensar votando Sócrates!

E nas Autárquicas faço o mesmo: compenso o voto exclusivo no António Costa com a exclusividade de voto para o B. E. na Assembleia Municipal. Exercitem este método e pessoalizem-no! Até pode ser divertido…

  http://ecotono.blogs.sapo.pt/5099.html escreveu em 15.July.2009 | 16:54

[…] Ainda não decidi qual será o meu voto lá para Setembro. Confesso que, emocionalmente, será estranho votar PS. […]

  ana escreveu em 16.July.2009 | 8:18

“o mais importante para esta e outras lutas da esquerda é que os partidos da esquerda, digo pcp e bloco, tenham muitissímos mais votos, como a única forma a obrigar o ps a legislar à esquerda”

Pois, e assim sempre ganha o psd, que parece ser o que o bloco e o pcp querem.

“Mas a questão é: com Sócrates, mesmo em minoria, sabemos o que nos espera; a MFL, damos o benefício da dúvida…”

Damos? Eu não dou, tenho boa memória.

  Luís Vicente escreveu em 16.July.2009 | 9:55

“…com Sócrates, mesmo em minoria, sabemos o que nos espera; a MFL, damos o benefício da dúvida…
Ele matou a esperança. Ela, ainda, permite sonhar…” A sério?! A Deolinda deve ser muito jovem ou não viveu em Portugal nos tempos da “dama do défice”…com o que sonharíamos com MFL??? Que pesadelo horrível!!

O problema aliás é esse, mesmo, o do sonho: perante a alternativa clara que está desenhada, Sócrates ou MFL(+PSL+Portas+apoio de Belém) muitos eleitores “modernos”, “progressistas”, “comprometidos com a liberdade e a igualdade”, preferem sonhar. O texto de MVA é uma tentativa para os acordar…

  Luís Vicente escreveu em 16.July.2009 | 13:56

“Tanta falsidade sobre o Tratado de Lisboa!”

(Resposta a José Luiz Sarmento).

Não sei se Sócrates é ou não o melhor 1º Ministro que tivemos. Sei se certeza é que a sua afirmação: ” Sócrates vai ficar na História por ter sonegado aos portugueses um referendo que lhes permitiria pronunciar-se contra o Tratado de Lisboa - um documento que constitucionaliza o neoliberalismo e acabará, se for posto em prática, com qualquer possibilidade de democracia na Europa.”
é completamente falsa (à parte o facto evidente de que Sócrates não organizou um referendo ao TL) e constitui um claro exemplo dos dislates que se dizem/escrevem todos os dias sobre a Europa.

Vindo da extrema direita nacionalista, não me toca, mas infelizmente muitas vezes vem de quem se diz de esquerda.

1. Que eu saiba, ainda está por demonstrar que o referendo, a realizar-se, teria resultado na rejeição do TL pelos portugueses. Mas, claro, os ilumindados já sabem como o povo vota, não é? Nem vale a pena fazer o referendo…

2. O TL não “constitucionaliza” nada. Que eu saiba, não é uma constituição, é um tratado como todos os que tivémos até agora, como o que está em vigor, que foi fixado pelo de Nice, revisto aquando da adesão dos novos países. Quanto ao tal “neoliberalismo”, o TL não acrescenta nada ao Tratado existente que se possa considerar, utilizando a sua lógica, mesmo utilizando a sua lógica, de “neoliberal”. Pelo contrário, as poucas cláusulas relativas às políticas da UE que tem -porque o TL é essencialmente um tratado sobre instiuições, não sobre políticas - dizem respeito à obrigatoriedade de ter em consideração os efeitos sociais das medidas a adoptar no âmbito das várias políticas, à protecção dos serviços económicos de interesse geral, à protecção do ambiente, à luta contra as modificações climáticas. Desafio-o a indicar-me uma só linha do TL que acrescente qualquer tendência “neoliberal” aos tratados existentes. Os quais, caso ainda não se tenha dado conta, vão continuar em vigor se o TL não for ratificado.

3. Quanto à democracia, a sua afirmação é patética. Diga-me um só exemplo pelo qual o TL agrava a dimensão democrática na UE. Indique um, se for capaz. Isso são declarações ocas que se ouvem amiude entre os anti-europeus e os opinion-makers para quem é chique malhar na Europa - Pacheco Pereira, António Barreto, José Manuel Fernandes & Cia - mas que não têm qualquer sentido.

Pelo contrário, eu digo-lhe , e provo-o: o TL reforça o carácter democrático da UE. Porquê? Eis algumas razões:

- Porque reforça o papel do PE, o qual passará a ter uma palavra decisiva a dizer sobre muita da legislação europeia na qual o Conselho decide até agora sózinho. Chama-se a isso co-decisão, e o TL alarga muito o seu âmbito de aplicação, tornando-a a regra geral. Baseia-se na lógica democrática de que as leis que afectam a vida das pessoas devem ter a aprovação dos representates eleitos dessas pessoas. Como os Governos, quando se reunem em Bruxelas no seio do Conselho, não são (nem podem ser) controlados pelos seus respectivos Parlamentos, o único modo de o fazer é dar voz ao Parlamento Europeu, eleito pelos cidadãos. Se acha que isso é anti-democrático, gostaria de conhecer a sua noção de democracia…

Porque reforça o papel dos Parlamentos nacionais, os quais passarão a estar em posção de controlar todas as propostas legislativas formuladas pela Comissão e passarão a ter uma palavra a dizer sempre que acharem que a legislação em discussão a nível europeu viola o princípio fundamental do exercício das competências nacionais, o princípio da subsidiariedade. E também terão um a palavra decisiva a dizer sobre qualquer passagem da unanimidade à maioria qualificada, ou seja, sobre importantes decisões de carácter institucional. Reforçar o papel dos Parlamentos nacionais também será anti-democrático?

Porque reforça o controlo do PE sobre a Comissão, nomeadamente no que diz respeito à escolha do seu Presidente (que terá de ser eleito pela maioria absoluta dos deputados europeus).

Porque, pela primeira vez, cria um mecanismo de petição legislativa popular, segundo o qual, se 1 milhão de cidadãos de vários Estados membros requerer uma iniciativa legilsativa numa determinada matéria, a Comissão europeia terá de a apresentar ou de justificar devidamente a sua recusa em fazê-lo.

Porque obriga o Conselho de Ministros , enquanto órgão legislative, a reunir e deliberar em público, e não à porta fechada como sucede agora. Ou seja, no futuro, já não será mais possível aos ministros de qualquer governo virem dizer que se bateram como leões, mas os nossos parceiros foram inflexíveis, etc, foi o oukaze de Bruxelas, etc, quando afinal eles próprios aplaudiram ou solicitaram determinadas medidas e não querem assumi-lo porque sabem que isso lhes provocaria dificuldades com parte da opinião pública do seu país…talvez ache que mais transparência faz mal à democracia…

Isto para não lhe dizer que o TL dá um papel decisivo ao PE em matéria de aprovação do orçamento europeu ou de acordos internacionais (como os celebrados no âmbito da OMC); reforça a protecção dos direitos fundamentais dos cidadãos a nível europeu, nomeadamente porque tem, pela primeira vez, um catálogo comum - a Carta dos Direitos Fundamentais - dos direitos de que todos os europeus gozam (sem pôr em causa os catálogos de direitos existentes em cada Estado-membro, que nuns casos serão mais avançados - como a Constituição portuguesa em matéria de direitos económicos e sociais, pelo menos em teoria, noutros casos o serão menos - por isso que o patronato britânico é contra a Carta), ao qual dá força de lei como se se tratasse do próprio tratado, o que significa que os tribunais europeus poderão aplicar e obrigar todas as instituições europeias a respeitar esses direitos..

Além disso, o TL clarifica de maneira substancial as competências da UE, definindo claramente os seus limites; clarifica o papel da UE a nível internancional; reforça a sua coerência e cria condicções de maior estabilidade política das suas instituições (o Presidente do Conselho Europeu, por ex), reforça (embora, admito-o, de maneira talvez ainda não suficiente), o controlo parlamentar sobre a acção da UE no domínio da política externa, etc….

Em suma: pode-se ser a favor ou contra a integração europeia; pode-se notar que ainda há muito por fazer para garantir o aprofundamento da democracia na UE, e é certamente verdade. Mas dizer que o TL é um passo retrógado em matéria de democratização da Europa, é falso. Como espero ter-lhe demonstrado.

Já vai sendo tempo de uma certa esquerda deixar de lutar contra moinhos de vento - ainda que europeus - e concentrar as suas energias onde elas verdadeiramente são necessárias…

  Armando escreveu em 16.July.2009 | 14:01

É curioso, porque este seu texto é um texto retórico ao contrário do que defende nas suas entrelinhas. Há verdades, mas há erros de análise craços. Utilizo as palavras de um comentário feito a este texto no facebook por Nuno David, que é pertinente:

“Subscreveria apenas algumas partes, há outras em que discordo totalmente. E há um erro de percepção, a questão não tem a ver com estilos. Se é verdade que o PS é obrigado a pensar à esquerda, nem a sua direcção nem o que lhe vão fazer o programa são de esquerda. Eles são pela inovação, mas não a inovação nas ideias, no gosto pelo correr riscos mínimos, na capacidade de se libertarem de interesses que minam o Estado.”

Ou seja, eles são pela inovaçao tanto quanto essa inovação lhes tire benefícios próprios. Veja-se o caso de António Vitorino, agora advogado de interesses angolanos. O Estado está minado, sejamos realistas, é algo aliás mundializado mas com muito mais intensidade aqui em Portugal, em parte devido ao governo Sócrates e ao Sócrates.

  Oberon escreveu em 16.July.2009 | 15:49

então mas a MFL não é um Socrátes de saias (e vice-versa)?

[…] O Daniel Oliveira é um ignorante que se aproveita da ignorância de muitos. Há dois tipos de votantes no BE: os ignorantes ou analfabetos funcionais citadinos, e os oportunistas protagonistas de uma agenda política exótica. […]

  Dumoc escreveu em 17.July.2009 | 10:53

Até Parece que em Portugal só existe PS - PSD, Benfica - Sporting…
que limitação!!!!

Como Tanto PS como PSD primam pela corrupção teremos que escolher entre o menos (ou mais conforme as perspectivas) corrupto! LINDO!!!!!
Acordem!

Tribunal de Contas: negócio do terminal de contentores de Alcântara é ruinoso para o Estado
17.07.2009 - 09h51
No PÚBLICO

O contrato com a Liscont é arrasado pelo Tribunal de Contas
O relatório final do Tribunal de Contas acusa o contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara de só favorecer os interesses da Liscont, a empresa do grupo Mota-Engil. O documento foi aprovado esta semana chega mesmo a dizer que o acordo é ruinoso para o Estado, adianta a edição de hoje do semanário “Sol”.

A relação Governo de Sócrates/Mota-Engil, começa a ser mais conhecida do que a relação Pedro e Inês em Portugal!!!! Os negócios estado Português/Mota-Engil, parecem fazer lucrar só um dos lados. Será que na relação sócrates/Mota-Engil também só lucra um dos lados??????

  A 13 de Maio na Cova da Iria | escreveu em 17.July.2009 | 13:02

[…] Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização … […]

  Pedro Costa escreveu em 17.July.2009 | 13:24

As suas palavras são pertinentes e correctas, no seu fundo de verdade. Mas apenas no plano teórico.
Esquece-se que o motivo da política são as pessoas. E este governo governou contra a maioria das pessoas, ou pelo menos de uma boa parte delas, as classes médias.
O objectivo deste PS e deste Governo foi pagar as transformações necessárias mediante portagens cobradas àqueles que tinham algum poder de compra sem serem ricos, pretendendo nivelar por baixo os níveis sócio-económicos e, para isso, atacando milhares de trabalhadores nos seus direitos essenciais.
Por isso, o meu voto, que em quase toda a vida foi PS, contrariamente ao seu que pela primeira vez o irá fazer, vai para todo o lado menos para este PS e, é claro, o PSD, cuja política e ideário, este PS teve a coragem e a pretensão de aplicar.
Por favor, queira sublinhar a palavra “este”.

  Luís Correia Cardoso escreveu em 20.July.2009 | 17:56

Eu li bem?
“sinais de um projecto de modernização para o pais…” ?
Estamos a falar deste País?
Portugal?
Meu caro Miguel, concordo com muito daquilo que escreve, confesso que sou Socialista (desde que comecei a votar, há muitos anos, depois de uma juventude muito radical entre o MRPP e a UDP) e partilho de um bom leque das suas preocupações.
Mas não concordo numa questão essencial neste PS - deixou de ser socialista!
Há, ainda, neste PS muitos socialistas, sem qualquer dúvida, Manuel Alegre é apenas um entre muitos, mas não o número suficiente para colocar o Senhor Engenheiro no devido lugar.
E como socialista que sou, posso confessar que não votei no Senhor Engenheiro, porque nessas eleições o PS já não era socialista.
Posso confessar ainda que votei conscientemente no BE, não por me identificar com a demagogia dos seus líderes nem dos seus sonhos líricos, mas porque Portugal precisa de alguém fora deste sistema político, de uma nova voz na Assembleia da República.
E tal como eu há um número crescente de socialistas que não estão para dar um voto a quem não defende os interesses do país mas sim de outrem.
É pena, que mais e mais uma vez, não haja ninguém no PS a ler a mensagem dos eleitores, que não se perceba porque é que o número dos não votantes aumenta, o número de brancos aumenta, o número de votantes dos partidos marginais aumenta…
A política do PS e do PSD está esgotada!
Os verdadeiros líderes, aqueles que lutam pelos ideais expressos na fundação dos seus partidos, aqueles que lutam pelos interesses do seu país, reformaram-se ou morreram!
Portugal precisa de novos partidos ou de novos líderes nestes partidos?
Meu caro Miguel, tem razão em tudo, mas para defender uma política socialista não é votar neste Senhor Engenheiro e na sua equipa muito bem seleccionada.
E não transforme este PSD no monstro de sete cabeças, porque eles são iguais a este PS, e o povo está farto de discursos miserabilistas, demagógicos e de chantagem psicológica

  Pedro escreveu em 22.July.2009 | 8:57

Se isto fosse o facebook, o que eu punha aqui era uma daquelas mãozinhas com o dedo médio espetado para cima. Miguel sempre o considerei uma voz esclarecida e independente. Não havia necessidade de se colar a um cadáver político. Como dizia Henry-Lévi a propósito do congénere francês, o PS morreu e (agora digo eu) é mais do que nunca um saco de gatos em que a qualidade políticas, das clientelas e interesses já não se destrinça das do PSD. O resto é espuma dos dias e areia para os olhos. E pior, com a mais do que certa e merecida derrota de Sócrates nas legislativas, o casamento gay fica adiado para as calendas por hipocrisia, cinismo e estratégia eleitoral do ‘engenheiro’.

  Cristina Moreno escreveu em 24.July.2009 | 7:47

Este texto é flácido, ideologicamente pobre, não tem energia anímica, não é esclarecido, nem esclarecedor, não é peixe, nem bacalhau.

Cit: «Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização para o país que se diferencia quer da tentação miserabilista da maior parte da direita, quer da tentação revolucionária da maior parte da esquerda.» (os bold são meus)

Espantou-me a ligeireza e a insustentável leveza desta frase, escrita por alguém que, em textos vários anteriores, incluindo académicos, nos conduziu a exercícios críticos de coerência e ao rigor dos conceitos (projecto de modernização?!… o que é “isso”? qual? onde? como? à custa de quê e quem?)

Desiludiu-me, mas talvez eu não tenha estado suficientemente atenta aos trilhos políticos que o MVdA tem andarilhado ultimamente e por isso me espanta o cruzamento a que chegou e a direcção por que optou: a coberto de uma pseudo-crítica à direita e à esquerda, é uma opção clara pelos valores da direita neo-liberal, personificada no actual dirigente do PS.

Não vou repetir as muitas críticas e observações dos comentários anteriores.
Só gostava de acrescentar que não há voto mais inútil e apelo mais demagógico do que o chamado “voto útil”, fórmula já demasiado repetida noutros contextos e situações, muito gasta, acrítica e, essa sim, uma tentação miserabilista.

  Carlos Nunes escreveu em 24.July.2009 | 10:29

Se isto fosse o facebook, ao contrário do comentador GP, punha aqui uma daquelas mãozinhas, não com o polegar, mas o médio bem espetado para cima.
É preciso descaramento, senhor MVA…!

[…] não apenas uma aproximação mas um claro namoro ao PS, com propósitos eleitorais – leia-se o post «Talvez não sejamos muitos e muitas…» que publicou a 11 deste mês no seu blogue e o de hoje […]

  Henrique escreveu em 24.July.2009 | 20:34

Caro Miguel,

O espaço político que refere já existe: a Nova Esquerda.

Talvez (ainda) não sejamos muitos e muitas…

  Jorge Ribeiro escreveu em 25.July.2009 | 13:44

Concordo com as ideias que você defende, obviamente. Desilude-me a sua notória falta de visão ou, pior ainda, de informação.
O Miguel fala do que não sabe. Ou que finge não saber.
Sócrates tem inata a sua matriz de origem - neoliberal. Nada mais do que isso. Não sabe nem é capaz de governar ou de sequer se sentir bem sem calculadora na mão.
Em suma, não tem ideologia - o que para mim e para quem de facto sabe o que significa a palavra “política” é obviamente fundamental.
Ascendeu a lider do PS pelas suas reconhecidas capacidades de falar alto e desassombradamente enquanto “militante” do PS e como deputado do PS oposição. Veja o “flash-video” que está no youtube com as intervenções de Sócrates na Assembleia da República enquanto depuutado da oposição.
Tenha presente os debates políticos anteriores às eleições num programa semanal cujo nome me não recordo já, e que penso que passava na RTP ou na SIC. Os comentadores eram Sócrates e Santana Lopes.
Foi isto e o programa eleitoral que o PS apresentou nas anteriores eleições que me levaram a votar, uma vez mais, no PS - por acreditar em Sócrates. Está no poder, por conseguinte, também por minha CULPA, e disso já me arrependi mil vezes. Festejei sinceramente a maioria absoluta do PS nessa altura. E curiosamente amigos meus ACTIVISTAS desse partido espantaram-se com o meu entusiasmo, dizendo-me que eu não conhecia o personagem. Foi caracterizado pelos mesmos como um eucalipto - seca tudo à sua volta. E infelizmente para nós todos, tinham razão.
A minha área de trabalho é a Justiça. No discurso de posse, para além de desdizer as políticas sociais que prometera argumentando que encontrara uma situação financeira muito pior do que imaginava (como se tal fosse credível), arredou logo a hipótese de medidas sociais prometidas - desagravamento da carga fiscal, uma das suas bandeiras ELEITORAIS. Mas para amenizar essa notícia que bem sabia ser impopular, de imediato anunciou ir cortar privilégios de algumas profissões que no seu modo de ver tinahm de acabar. E atacou logo com falsos argumetos os juízes (atenção, não sou juiz - sou da área do direito, mas profissional liberal). Invocou serem os únicos deste “país” que tinham direito a 2 meses de férias. Era falso, e Sócrates sabia-o bem. Os juízes têm, como todos os funcionários públicos, um regime de férias de 30 dias, acrescidos de 1 dia por cada X anos de vínculo. E tão-só. De resto, nas saudosas férias judiciais de Verão de 16 de Julho a 15 de Setembro, estavam de turno, ou a trabalhar em casa nos processos mais complicados. Qualquer advogado sério sabe bem que as granses sentenças, daquelas que contêm 60, 100 ou mais páginas, eram notificadas no final de Setembro / princípio de Outubro, e notoriamente levaram dias e dias a elaborar, num estudo exaustivo dos processos, dos argumentos das partes litigantes, e das provas: as carreadas para os autos documentalmente, e as produzidas em julgamento - estas gravadas e que era necessário voltar a ouvir.
Acresce a tudo isto que o ministro que Sócrates escolheu (que como advogado não pode desconhecer o que supra disse, mas naturalmente ignorou esta realidade incontornável) não tem nem nunca teve coluna vertebral. O que o chefe decide, está decidido. Ele não tem voto de matéria. E o resultado está à vista de todos.
As consequências desta medida foi o entupimento dos tribunais, porque os juízes, como órgão de soberania que também são, não podem fazer greve. Solução: cumprir escrupulosamente a lei: julgamento feito, sentença a proferir no prazo legal - e consequentemente, o adiamento das audiências marcadas para os dias seguintes “sine die”. Num julgamento mais moroso, que dantes se estendia bastante para além do horário normal, interrompia-se a audiência para prosseguir no dis seguinte.
Percebendo isto, o ministro às ordens de Sócrates teve de inventar uma solução que não comprometesse a decisão de limitar as férias judicias apenas a Agosto: permitiu que juízes, magistrados e funcionários judiciais pudessem tirar férias entre… 16 de Julho e 15 de Setembro. Ou seja, retrocedeu sem contudo dar a entender que retrocedia, não revogando o decreto que “encolheu” as férias. Na prática, os tribunais estão de facto praticamente inertes (salvo nos processos urgentes, como de resto sempre foi) durante essses dois meses.
Contudo, e satisfeita a reivindicação dos juízes, magistrados e funcionários judiciais, há juízes que vão marcando audiências na 2ª quinzena de Julho ou 1ª de Setembro. Poucos, é certo. Mas há.
Consequência final: os únicos verdadeiramente prejudicados são os mandatários, especialmente os que não trabalham em regime de sociedade - ou seja, os mandatários entendidos como aqueles que encaram a sua profissão na pureza do mandato - sejam advogados, solicitadores, e mais recentemente os agentes de execução (até ao momento apenas solicitadores, e a partir do próximo ano também jovens advogados aos quais o tal ministro abriu agora a porta da execução - outra questão habilidosa que referirei a seguir). Quando antigamente os mandatários podiam fazer férias repartidamente ao longo de dois meses, programando-as por forma a deixarem os escritórios em ordem antes de as iniciarem, e retomando o trabalho a tempo de preparar as diligências agendadas após 16 de Setembro, estão agora limitados ao mês de Agosto - que não podem gozar por inteiro pelos motivos apontados (deixar os escritórios em ordem e preparar as diligências post-férias). O que implica condicionamento gritante das suas vidas pessoais e familiares, como óbvio se torna. São estas de facto as únicas vítimas da habilidade demagógica do “fim dos privilégios - inexistentes como supra disse - dos juízes.
É o quero, posso e mando instalado, sem medir as consequências. E naturalmente Sócrates nunca foi NEM SERÁ pessoa para “dar a mão à palmatória” e revogar o que promulgou. E se ele o não faz, menos ainda o tal dito ministro invertebrado, às ordens do patrão.
Não posso em consciência deixar de referir aqui os solicitadores de execução. Numa reforma da acção executiva feita a martelo pela então ministra Celeste Cardona, foi criada esta figura para descongestionar os tribunais. Promessas de meios de trabalho para um eficaz exercício da nova actividade foram muitas. Concretizadas quando a lei entrou em vigor (a 16/9/2003) - nenhumas. Mais: sei que os solicitadores foram confrontados à data com uma perspectiva negra de futura da profissão: ou “pegavam” na execução, ou a profissão seria a extinguir - anunciou-o o então presidente da respectiva Câmara durante o 1º curso de formação específica, sala por sala. Porquê? A esta distância, presumo que por pressão política. Conheço-o, é um profissional altamente qualificado, e por isso não acredito que o tivesse dito para enganar os seus colegas. Estaria sim muito preocupado.
Na verdade porém, isto foi um embuste. A maioria, perante o panorama que lhes foi apresentado, inscreveu-se na especialidade. Muitos deles estão agora profundamente arrependidos e desiludidos, em especial os que não trabalham em sociedades, mas isoladamente.
Foram mal pagos, e a lei foi violada. Está ali escrito que as suas remunerações são revistas de 3 em 3 anos. Esperaram desde 2003 até 2009 por tal medida. Culpa de quem? Em 2006 já Sócrates reinava, e não cumpriu com a lei - uma vez mais.
A reforma recentemente introduzida (entrou em vigor a 31 de Março de 2009) finalmente simplifica os processos executivos (embora ainda esteja longe de permitir a eficicácia que lhe está subjacente). Contém inúmeras contradições e omissões, e por isso se prevê que terá de ser pontualmente rectificada. Mas a isti já estamos habituados com o governo de Sócrates: leis feitas em cima do joelho, sem rigor e constantes rectificações. Neste país legisla-se muito e mal.
Durante 6 longos anos foram os solicitadores de execução as cobaias do novo regime do processo executivo. Sei bem o que passaram e ainda passam, por falta dos prometidos meios. São multados e destituídos por dá cá aquela palha, com a insensibilidade de muitos colegas meus, mandatários, e a prepotência de alguns juízes que não querem reconhecer as dificuldades.
Há dias, o bastonário da Ordem, Dr. Marinho Pinto, falou brevemente nos solicitadores de execução numa entrevista em que abordou de um modo geral a justiça em Portugal. Revejo-me e subscrevo praticamente tudo quanto disse, excepção feita ao modo como se referiu a esta especialidade da solicitadoria. Admito que talvez não quisesse dizer exactamente o que disse, porque generalizou em absoluto, não distingindo a árvora da floresta. Manifestou-se contra os solicitadores de execução porque entende que esta actividade deve ser da exclusiva competência de quem tem formação jurídica. Aqui, e desta forma geral e abstracta, não estou de acordo.
Há muitos solicitadores de execução licenciados em direito. Hoje em dia, para se ser solicitador, exige-se a licenciatura em solicitadoria jurídica. Não é portanto por aí que pode ir nas suas críticas.
Conheço solicitadores de execução que, embora não licenciados, por terem exercido a sua profissão no foro durante anos e anos, e porque pontualmente por este ou aquele motivo não acabaram os cursos de direito que frequentavam, são tão ou mais capazes que muitos licenciados em direito que conheço - e o seu trabalho é do ponto de vista jurídico irrepreensível.
Muitos há também - e é a estes que penso que Marinho Pinto se queria referir - que não sabem distinguir a estrada da Beira da beira da estrada. Estes, com a recente reforma, só têm dois caminhos: ou contratam juristas para apoiarem os respectivos escritórios, ou abandonam a profissão. O tempo dar-me-á razão.
Mas esta reforma da reforma da acção executiva tem o seu quê de preverso para quam durante os últimos 6 anos serviu de carne para canhão. Os solicitadores de execução mais antigos (os que exercem desde 2003 especialmente) estão entupidos de processos. E terão agora de conviver com as facilidades finalmente criadas - e que deviam estar em vigor desde 2003 - apenas aplicáveis aos processos entrados nos tribunais após 31 de Março de 2009, com as burocracias desnecessárias e que em muito atrasam o andamento das execuções anteriores a esta data. Vão ter pela frente um ou dois anos muito difíceis, prevejo. Seguramente verão os novos processos concluídos em relativamente curto espaço de tempo, e os anteriores a marinar nos enredos burocráticos. Não se percebe por que motivo as novas facilidades de desnecessidade de determinados procedimentos (autorizações prévias dos juízes para este ou aquele acto, por exemplo - que por vezes demoram meses porque os tribunais também estão bloquedos - e que agora não existem) não são aplicáveis aos processos anteriores. Trata-se do mesmo tipo de processo, são da responsabilidade - agora alargada - dos mesmos agentes de execução, pelo que não vejo motivo plausível para não isentar os processos “antigos” dos despachos que os “novos” já não carecem.
Óbvio se torna que os novos agentes de execução, que não têm à sua responsabilidade processos antigos, vão aparentemente demonstrar maior eficiência. Assim é fácil. E o Dr. Marinho Pinto, que muito prezo aliás, não se esqueceu-se de referir os funcionários judiciais que também podem ser agentes de execução - a maioria deles sem perceber nada de direito, porque as funções são maioritariamente exclusivamente burocráticas. E muito poucos, mas mesmo muito poucos, são licenciados.
Atenção: não estou mandatado por nenhum solicitador de execução para defender as suas razões. Apenas conheço a realidade por força da minha profissão, privo com muitos dos mais variados pontos do país, e por isso falo por experiência pessoal. Procuro apenas ser justo na apreciação das suas dificuldades, das quais não têm culpa - e refiro-me apenas aos obstáculos, não à incompetência de alguns.
Pode parecer descabido este longo texto versando uma área específica, quando
o que está em causa a posição do Miguel no apoio a Sócrates. Mas verá porque o faço, já de seguida.
É que esta reforma resulta de algo de anormal que ocorreu em Portugal de há anos a esta parte na área do ensino. Não é exclusivo de Sócrates, mas também passa por ele.
Recordam-se por acaso que há 25 / 30 anos atrás Portugal era tido como um país em que e iliteracia predominava? Pois bem, era uma realidade. Solução encontrada pelos sucessivos governos: licenciamento indiscriminado de universidades privadas - algumas das quais já encerradas até por motivos de índole criminal.
Nessa altura apenas existiam faculdades de direito em Coimbra e Lisboa, para além da Católica. A universidade do Porto, que me recorde, de há muitas décadas reivindicava uma faculdade de direito pública - e nunca percebi qual o motivo de não ter sido atempadamente criada (foi-o há escassos 5 ou 6 anos, se não estou em erro).
Assim, aos compadres dos partidos da área dos sucessivos governos constitucionais foi dada a possibilidade de abrirem universidades privadas, nas quais o curso de direito era ministrado. Era a galinha dos ovos de ouro: é um curso barato para as privadas (não exige investimentos que não sejam os salários dos professores, por regra relativamente mal pagos) e os alunos pagavam bem caro as propinas mensais. Quanto à qualidade do ensino, salvo honrosas excepções, estamos conversados… Licenciaram-se em direito dezenas de milhar de jovens, atravé de cursos “comprados”. E a qualidade técnica desses jovens deixa imenso a desejar (salvo também honrosas excepções, que as há naturalmente).
Resultado: hiper inflação de juristas. Inscritos na Ordem - muitos dos quais sem trabalho porque não há mercado que aguente tanta oferta - são muitas dezenas de milhar.
Mas não foi só em direito que isto sucedeu. Há várias outros cursos que não exigem grandes investimentos com excesso de oferta de profissionais de duvidosa capacidade. Poucas foram as universidades privadas que investiram nas áreas não humanísticas.
Em suma, passamos de um país de iletrados para um país de licenciados - sem preparação, sem trabalho, mas licenciados - sejam juristas (advogados, juízes os magistrados), ou outros.
Há dias o governo anunciou as vagas para o ensino superior no próximo ano lectivo. Curso com maior número de vagas: direito! Tal qual, porque o país está carenciado de juristas, pelos vistos.
Porque razão Sócrates não tomou a medida que de há muito se impõe - suspensão da licenciatura por 5 anos, com vista a escoar a oferta? Resposta: pois… mas… e os nossos amigos das privadas? É este o tal homem de confiança e de coragem? Se isto fosse explicado aos portugueses exactamente como é - com números, como ele tanto gosta - sem temer os compadrios, todos compreenderiam a situação. Desconhece a realidade? Claro que não. Faltou-lhe foi a coragem de ATACAR OS PRIVILÉGIOS, bandeira que acena mas só no sector público ou de algum modo a este vinculado: juízes, magistrados e funcionários judiciais, professores (outro caos que ELE nos deixou de herança), gestores públicos e pouco mais. Privilégios para os privados “politicamente correctos”, nesses não convém mexer.
São estas, entre muitas outras, as razões pelas quais o PS com Sócrates à frente, ou qualquer outro tecnocrata desprovido de ideologia nunca mais terá o meu voto.
Fui sempre um acérrimo defensor de que o 1º ministro não pode ser um tecnocrata. Tem de ser um humanista, independentemente da sua formação académica. Não tem de ser necessáriamente um licenciado no que quer que seja: pode ser um alguém que tenha seguido a carreira política na sua verdadeira dimensão da palavra e conheça os problemas do país. Deve sim é escolher técnicos competentes para cada uma das pastas, nas respectivas áreas. O 1º ministro não governa. Quem governa é o governo. O 1º ministro coordena o governo, e sendo um humanista tem muito mais hipóteses de exercer bem o cargo, olhando antes do mais para o povo que o elegeu, mediando os interesses das áreas tuteladas pelos seus ministros, e aprovando ou moderando a prática sectorial do governo. É isto que não é feito. Cá como em muitos países, mas estamos a falar do nosso.
Sócrates, tecnocrata e sem ideologia, não serve. Como não serve qualquer outro que pretenda governar o país de calculadora na mão.
Só agora, em época de pré-campanha, Sócrates anuncia (como fez nas últimas eleições) medidas programáticas de cariz social - que é óbvio que esquecerá de imediato se porventura os portugueses tiverem a memória curta e o elegerem - e muito pior será se tiver maioria absoluta, no que sinceramente não acredito.
Veste agora a pele de cordeiro, mostra-se dialogante, sabe Deus com que sacrifício. Deve tomar doses maciças de Xanax ao levantar para controlar a prepotência que lhe corre nas veias. Até porque sabe que as sondagens lhe são desfavoráveis, pelo menos no que diz respeito a maioria absoluta.
Tenho pano para mangas para lhe demonstrar a iniquidade de inúmera legislação deste governo que ludibriou actividades profissionais quase seculares, decretos que aparentemente benificiaram o cidadão, mas que encapotadamente não surtiram efeito porque foram compensadas por outras que mantiveram tudo na mesma quando não foram ainda mais penalizantes.
Sócrates é um bluff. Esquerda, para ele, é a parte do corpo onde o coração (e refiro-me apenas ao órgão, não à palavra no sentido mais nobre, o do sentimento) bate mais forte (embora na verdade o coração físico esteja no sentro do tórax, levemente inclinado sobre o lado esquerdo).
Pessoalmente quero um humanista, com fortes convicções sociais - e por isso de esquerda -, descomprometido com lobbies, à frente do governo. Não é manisfestamente Sócrates. Nem Manuela Ferreira Leite, que é um Sócrates com saias e como ele tecnacrata.
Ou seja, não há actualmente no espectro partidário e em função do voto tradicional dos portugueses (nos chamados partidos da área de governo) quem se encaixe no perfil. Em quem vou votar?
O voto é secreto. Na direita, por tudo quanto disse, seguramente que não. Em branco, muito menos - isso é passar um cheque em branco a quem ganhar as eleições, seja o “PS” seja o PSD. Nunca me abstive e não o vou fazer agora.
Conscientemente, e fazendo o percurso inverso ao seu, caro Miguel, vou votar útil, ou seja, à esquerda, mas em quem tenha representação parlamentar. Há apenas duas hipóteses: CDU ou Bloco de Esquerda, para forçar o “PS”, se ganhar com minoria, a guinar obrigatoriamente para a linha de onde nunca devia ter saído. É nas circunstâncias presentes a única forma de ser coerente com a ideologia que professo, como homem de esquerda que sempre fui e continuarei a ser, privilegiando as questões sociais e o diálogo - precisamente o que Sócrates é incapaz de fazer.
Daí que lamente o seu percurso em sentido diametralmente oposto. Você está errado. O tempo vai encarregar-se de lho demonstrar.

[…] visado tem um laborioso e muito aborrecido texto a justificar o seu situacionismo aqui. Nem de propósito, o blogue dele já era rosinha. Fica tudo em família. […]

  causavossa escreveu em 25.July.2009 | 15:55

Um aplauso para Jorge Ribeiro!

Quanto aqueles que se vendem e compram são Homens de h pequeno!

  fera felina escreveu em 25.July.2009 | 19:26

Eu se encontrasse o Sócrates… comia-o!

  fera felina escreveu em 25.July.2009 | 19:33

Não sei se irei votar no ps, mas reconheço que o eng. sócrates governou bem em algumas áreas: energias renováveis, apoio à 3ª idade…

  Lúcio Peixe escreveu em 25.July.2009 | 23:29

Gostei particularmente dos “muitos e muitas” do “alguns e algumas”.
Para quem se bate tanto pela “igualdade de género” (já não há pachorra!) é curioso que se sublinhe a diversidade do mesmo género.

  maria do mar escreveu em 26.July.2009 | 7:53

JOAO PEREIRA COUTINHO NAO INTERESSA PARA UM DEBATE POLITICO SERIO .
ELE PROPRIO NAO SE LEVA MUITO A SERIO ,QUANDO DIZ QUE A FORMA SE SOBREPOE AOS CONTEUDOS.

E’ UM INTELECTUAL DE DIREITA, EXTREMISTA EM MUITOS ASSUNTOS DE RELEVANCIA, QUE ESCREVE MUITO BEM E POSSUI UM HUMOR INTELIGENTE E BEM APRESENTADO.

LEIO E DIVIRTO-ME.

DAR-LHE IMPORTANCIA POLITICA E’ UM DESPERDICIO ENERGETICO E DESLOCADO, NO CONTEXTO EM QUE APARECE REFERIDO

  alice tentilhao escreveu em 26.July.2009 | 16:11

intelectual doméstico ou domesticado? o seu texto não me merece mais comentários….

  Tiago escreveu em 23.August.2009 | 10:59

Não tinha ideia alguma que os meus valores e opiniões politicas poderiam alguma vez encaixar num grupo como o descrito. Sempre me considerei único, sendo que acabei de descobrir que não o sou. Identifiquei-me com tudo. Ainda tenho algumas dúvidas em relação a este PS.

Grande Miguel Vale de Almeida.

  Luisa Matos escreveu em 25.September.2009 | 12:22

Olá Sr. Miguel! Apenas escrevo este comentário para lhe agradecer o facto de me ter ajudado a decidir de forma mais clara o meu voto no próximo dia 27. Ajudou-me porque põe por escrito tudo aquilo que eu penso duma forma tão clara e acessível e porque me apercebi que me encaixo num grupo como aquele que descreve. Obrigada.

  A 13 de Maio na Cova da Iria « Aventar escreveu em 8.December.2009 | 3:47

[…] Mas vejo pela primeira vez, no PS e sobretudo em Sócrates, sinais de um projecto de modernização … […]

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