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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Pela igualdade, ponto.

O lançamento é já no domingo, 31, às 16h, no Cinema S. Jorge (Lisboa). Eis o texto que une cidadãos e cidadãs:

«MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil

A igualdade no acesso ao casamento civil é uma questão de justiça que merece o apoio de todas as pessoas que se opõem à homofobia e à discriminação. Partindo da sociedade civil, a luta pelo acesso ao casamento para casais de pessoas do mesmo sexo em Portugal conta neste momento com um crescente apoio político e social. Nós, cidadãos e cidadãs que acreditamos na igualdade de direitos, de dignidade e reconhecimento para todas e todos nós, para as/os nossas/os familiares, amigas/os, e colegas, juntamos as nossas vozes para manifestarmos o nosso apoio à igualdade.

Exigimos esta mudança necessária, justa e urgente porque sabemos que a actual situação de desigualdade fractura a sociedade entre pessoas incluídas e pessoas excluídas, entre pessoas privilegiadas e pessoas marginalizadas; Porque sabemos que esta alteração legal é uma questão de direitos fundamentais e humanos, e de respeito pela dignidade de todas as pessoas; Porque sabemos que é no reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo que se joga o respeito colectivo por todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, e pelas famílias com mães e pais LGBT, que já são hoje parte da diversidade da nossa sociedade; Porque sabemos que a igualdade no acesso ao casamento civil por casais do mesmo sexo não afectará nem a liberdade religiosa nem o acesso ao casamento civil por parte de casais de sexo diferente; Porque sabemos que a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade.

Em 2009 celebra-se o 40º aniversário da revolta de Stonewall, data simbólica do início do movimento dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros. O movimento LGBT trouxe para as democracias - e como antes o haviam feito os movimentos das mulheres e dos/as negros/as - o imperativo da luta contra a discriminação e, especificamente, do reconhecimento da orientação sexual e da identidade de género como categorias segundo as quais ninguém pode ser privilegiado ou discriminado. Hoje esta luta é de toda a cidadania, de todos e todas nós, homens e mulheres que recusamos o preconceito e que desejamos reparar séculos de repressão, violência, sofrimento e dor. O reconhecimento da plena igualdade foi já assegurado em várias democracias, como os Países Baixos, a Bélgica, o Canadá, a Espanha, a África do Sul, a Noruega, a Suécia e em vários estados dos EUA. Entre nós, temos agora uma oportunidade para pôr fim a uma das últimas discriminações injustificadas inscritas na nossa lei. Cabe-nos garantir que Portugal se coloque na linha da frente da luta pelos direitos fundamentais e pela igualdade.

O acesso ao casamento civil por parte de casais do mesmo sexo, em condições de plena igualdade com os casais de sexo diferente, não trará apenas justiça, igualdade e dignidade às vidas de mulheres e de homens LGBT. Dignificará também a nossa democracia e cada um e cada uma de nós enquanto cidadãos e cidadãs solidários/as – e será um passo fundamental na luta contra a discriminação e em direcção à igualdade.»

10 Comentários »

  kool escreveu em 28.May.2009 | 12:10

Apoiado. Mas bem… lá se vai começar a ouvir de novo que isto é o lobby gay e mais blá blá blá…

  Velho escreveu em 28.May.2009 | 14:06

Ah, que escândalo! Continua a faltar o ponto antes da bolinha! :-o

  Valeria escreveu em 28.May.2009 | 17:05

De fato, não afetará a liberdade religiosa. A frase “a César o que é de César…” demonstra que o direito e a lei pertencem ao mundo e à necessidade do espaço da cidade (cidadania) se organizar. Os homossexuais não podem mais ser tratados como “criminosos” e tendo o seu direito legalizado estão em condições de realmente mostrar a cara e viver às claras. É hora de questionar expressões como “vivem às escondidas”, como se fossem ratos, ou “saem/não saem do armário”, ora covardes, ora “assumidos”. O preconceito isola os homossexuais e os afasta do convívio com a esfera civil e pública.

  Rita de Aires escreveu em 28.May.2009 | 22:03

Sou licenciada em Psicologia, com pós-graduação em Direitos Humanos.
Vivo no Porto e tenho 28 anos.

Apaixonada pelas questões da igualdade.
Quero muito ter um papel activo neste Movimento.

Agradeço contacto para concretizar o meu papel.

Muito obrigada!

  claudia escreveu em 29.May.2009 | 10:54

Pois. O que é que o resto do povo pode fazer? Assinar alguma petição, mandar emails a chatear alguém… melhor ainda, o movimento já tem site?

  Anax2 escreveu em 29.May.2009 | 12:19

A mim já me chegava que os meus pais me deixassem ser como sou, nem precisava de casar…

  Adalto escreveu em 29.May.2009 | 12:39

E viva!
Dá-lhe Portugal… avante, avante! Já não é sem tempo.

  pedro escreveu em 29.May.2009 | 16:58

:-)

  Luiziane escreveu em 22.October.2009 | 10:23

Olá somos alunos de jornalismo e temos um blog que suporta os mesmos interesses que este.
http://igualdadecom.blogspot.com.
Abordamos assuntos relacionados a igualdade entre os sexos.
O blog é referente à uma Ong ao qual estamos assessorando aqui na cidade Santa Maria - RS. Vale a pena dar uma olhadinha, nossas atualizações são frequentes. Beijinhos :)

  Maria Manuel escreveu em 9.November.2009 | 19:12

Há uma questão que eu gostaria de ver reformulada. É que quando se fala de “escolha” está a cometer-se uma grande gaffe. Ninguém escolhe ser diferente e ter uma vida de luta e sofrimento pela aceitação. Ninguém escolhe ser homossexual, a escolha aqui mora no facto de se escolher entre aquilo que somos e o que os outros querem que sejamos, e não é fácil ir contra o que se sente. E falo por experiência própria! Também não é fácil lidar com o sofrimento e revolta que se causa a quem não consegue lidar com esta situação, pessoas muitas vezes tão importantes pra nós! E não é fácil lidar com a revolta que se instala em nós por não nos sentirmos aceites por aqueles que amamos e por termos um caminho tão difícil pela vida fora. Não era suposto, mas prefiro viver a minha vida a lutar para que me deixem viver como eu quero e como me faz sentir completa, do que simplesmente virar as costas àquilo que sou.
É vergonhoso, em pleno séc.XXI ainda haver tanta desigualdade e ainda ter de se lutar por direitos iguais. Este mundo perfeito da hipocrisia da Igreja católica só retarda a evolução humana. E só causa sofrimento a quem tem amor verdadeiro para dar!
Deus disse: “Amai-vos uns aos outros…”…

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