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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Prioridades e fracturas

Ontem ouvi Maria José Nogueira Pinto dizer que a crise económica e social, nomeadamente o desemprego, é a maior preocupação dos portugueses. O seu oponente no programa televisivo, um socialista cujo nome esqueci, concordava com ela. Como concorda grande parte da esquerda e da classe política em geral.E como concordo eu. Se há causa fracturante e sempre prioritária neste país é essa - a fractura de classe, a fractura da desigualdade. Agora agravada. Bem diferente é saltar dessa constatação para a conclusão de que as outras questões (you know what I mean…) não são prioritárias e vêm introduzir uma fractura no supostamente desejável consenso para ultrapassar a crise. Desde logo porque esse “consenso” escamoteia as verdadeiras contradições na base da crise e da desigualdade (antes e para lá da crise). E porque todos os dias são tomadas dezenas de medidas legislativas, nunca acusadas de fracturantes ou de pouco prioritárias. O problema está, é óbvio, no horror que causa a certas mentes a questão do casamento. Para o exorcizar, tudo vale. Até a obscenidade de manipular a desigualdade económica e social a que nunca ligaram peva e da qual os seus privilégios dependem.

PS: quando eu estava no Bloco, havia na Mesa Nacional dois sindicalistas, António Chora (Auto Europa) e Manuel Graça (da indústria dos calçados), que faziam sempre questão de apoiar as minhas posições sobre questões LGBT, nomeadamente o casamento. Eles sabiam do que falavam, enquanto operários, e não deliravam sobre prioridades e fracturas. Pessoas decentes, em suma.

2 Comentários »

  /me escreveu em 25.February.2009 | 11:29

Outra coisa que não é prioritário é o Carnaval. É um gasto de dinheiro, umas fantochadas, homens vestidos de mulheres, mulheres despidas, tudo uns exibicionismos. Só se querem exibir, só querem ser vistos. Ainda por cima têm direito a um feriado quando estamos em crise. E a 30 minutos em cada telejornal. E quem quiser dizer que essas pessoas são todas umas doentes que só querem atenção ainda é discriminado e tem de ouvir essa gente intolerante a dizer que é anti-social e essas coisas todas.

A ironia não é o meu forte, mas não perco por ir treinando…

  Platonic rake escreveu em 25.February.2009 | 14:19

as coisas estão todas ligadas entre si, ou seja: na minha opinião enquanto não se resolver os problemas ditos “menos importantes” como o casamento homosexual e outras (como a eutanásia,por exemplo), q são questões derivadas da liberdade individual, nunca se poderá realmente resolver a crise q afecta a todos…

certo ou errado??

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