Mais do que conduzirem a uma reflexão crítica sobre o estado da escola pública, os supostos rankings escolares que alguns jornais e TVs tanto gostam de mostrar, parecem um exercício de descarado classismo. As melhores notas obtêm-se nas escolas mais caras e mais selectivas socialmente. Obrigado pela informação. Assim os pais dos miúdos que andam nas outras escolas todas ficam a saber que com dinheiro, família e igreja o sucesso é garantido. Da próxima poderiam mostrar com quem os alunos desses colégios se casam, e em que empresas obtêm emprego. Mas não é esse o propósito de tanto investimento jornalístico no tema. Nem sequer se trata de uma vontade cívica de nos informar sobre o estado da educação. A obsessão de alguma media com os rankings vai sempre junto com editoriais sobre a liberdade de escolha das escolas, sobre a definição local de programas, sobre os cheques-escola, sobre a liberdade de educação e por aí fora. Trata-se, simplesmente, de criar o clima social para a conquista de um dos últimos mercados a retirar à coisa pública. O motivo ulterior é a evangelização mercantil.
Os Tempos Que Correm
Miguel Vale de Almeida1 Comentário »
dffgdg escreveu em 25.October.2007 | 22:48
No meu primeiro ano de licenciatura de antropologia - já lá vão quatro anos; agora sou um licenciado, já me sinto uma pessoa muito melhor (not) -, já lá dizia o mítico Filipe Verde na primeira aula do ano: vocês já devem saber que hoje em dia é sempre melhor ser filho de gente rica e culta do que não o ser. Palavras sábias, aliás, cada vez mais sábias, estas, do prof. Filipe Verde.
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