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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Falando para os jornais na varanda

«A proposta do Governo será aprovada pelo deputado independente Miguel Vale de Almeida, eleito nas listas do PS, mas o antropólogo prevê anexar uma declaração de voto. “O casamento não deve surgir juntamente com a adopção, justamente para distinguir a parentalidade da conjugalidade”, afirmou ao PÚBLICO. Vale de Almeida entende que o acesso ao casamento civil e a adopção por casais homossexuais possuem “igual urgência” e concorda com a proposta feita ao Governo pelo BE para separar a questão da parentalidade. “Mas consigo escalonar”, diz, “e ver que no quadro actual deve ser dada prioridade ao casamento”.» (Público)

Algumas confusões aqui.

1ª: Não “concordo com a proposta feita ao governo pelo BE”. Uma coisa é coincidir na opinião, outra concordar com uma proposta, como se tivesse tido conhecimento dela, coisa que não tinha.

2ª: Farei declaração de voto para marcar a minha opinião, desde sempre, a favor da igualdade nas várias questões de parentalidade, incluíndo a adopção. Mas isso não impede que considere prioritário, por realismo político e por perceber a sociologia quer do nosso sistema partidário quer da sociedade, que se consiga primeiro o consenso em torno do casamento.  

3ª: Que conjugalidade e parentalidade são esferas diferentes é uma questão de fundo, que deveria afectar, por razões diferentes, as propostas de todos os partidos. A meu ver o artigo 1979º (”quem pode adoptar plenamente”) nem devia estar ali.

3 Comentários »

  Cláudio escreveu em 19.November.2009 | 19:23

O estado civil “solteiro” não está separado da possibilidade de adoptar nem para heterossexuais, nem para homossexuais, logo o estado civil “casado” também não deve estar separado da possibilidade de adoptar, tanto para heterossexuais como para homossexuais. O facto de duas pessoas poderem adoptar em conjunto em vez de uma sozinha é uma vantagem para as crianças, pois estas vão usufruir de um apoio afectivo e social muito maior.

  David escreveu em 19.November.2009 | 22:24

A meu ver, as políticas sociais nunca devem ser tomadas em conjunto, como se fosse uma mera caixa de ideias ou direitos e aprova-las todas ao mesmo tempo. No caso específico dos direitos sexuais e de igualdade deve-se primeiro que tudo aprovar urgentemente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A sociedade portuguesa encontra-se muito homofóbica e pouco tolerante, devido ao facto do Estado não ser laico (e não é contradição) e do sistema educativo não abranger a “educação para a cidadania e valores”, onde inclui as questões sociais e ambientais. Só depois de alguns anos, após a aprovação do casamento, é que a sociedade estará mais apta a aceitar a adopção por casais homossexuais. É muito difícil para as crianças adoptadas irem para a escola e serem vítimas do preconceito e opressão da sociedade portuguesa. É urgente ultrapassar as barreiras e criar condições para que estas e outras questões como a eutanásia sejam aprovadas a curto ou médio prazo.
Todos nós sabemos que as políticas sociais em Portugal são sempre objecto de discriminação e preconceito da sociedade e é triste, o Estado permitir o referendo a este tipo de direitos sociais e humanos, quando a maioria dos cidadãos não têm capacidade sequer para compreender os fenómenos associados.
Falta ao meu país a mesma determinação e mão-de-ferro de governos como da esquerda socialista de Espanha, os liberais da Holanda, Dinamarca, Canadá, entre outros.
A protecção dos cidadãos em relação à discriminação, violência, etc deve ser revista, alargada e punir mais severamente os promotores desses actos. A imigração deve ser revista também, pois encontramos cada vez mais imigrantes em condições de pobreza extrema e ás vezes associados à criminalidade. Sou a favor da imigração, mas controlada. Senão daqui a poucos anos estamos como a Holanda e França, onde os imigrantes árabes, asiáticos e outros estão a fomentar o ódio e a xenofobia contra à população nativa e aos direitos conquistados, como a livre expressão de afecto entre casais do mesmo sexo, etc.

Grande abraço e espero que tudo corra bem. É o meu desejo, um desejo de eu poder ser feliz e respeitado no meu país e de ver os outros que me rodeiam também felizes.

  armenio escreveu em 21.November.2009 | 18:34

que confusao.
afinal é a favor do que?

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