Numa das escapadelas para um cigarro, sai-se por uma porta que dá para as traseiras da residência oficial do Primeiro-Ministro. De manhã, os pavões adoram empoleirar-se na rampa de acesso a pessoas portadoras de deficiência. Ficam ali, ao lado de motoristas de carros oficiais e deputad@s tabagistas, como este vosso.
Esta foto foi tirada depois de ali ter ido para, numa escadaria, participar de foto oficial da tomada de posse na 1ª Comissão, a de Direitos, Liberdades e Garantias, que agora passa a incluir os assuntos de Igualdade. Fiquei também como efectivo na de Assuntos Europeus, sendo um dos vinte e tal deputados do meu grupo que tiveram de ficar efectivos em duas comissões - work, work, work. Como suplente, calhou-me a de Ética, Cultura e Sociedade. Para a semana as coisas entram em velocidade de cruzeiro, pois faltava a tomada de posse das comissões, onde o grosso do trabalho parlamentar é feito.
[Entretanto, amanhã há um Prós e Contras sobre casamento. Mas com um twist desagradável: foi claramente sugerido e incentivado pelo grupo que anda a pedir um referendo. Apesar dos protestos, não se escapa a estas coisas, pois elas são levadas avante quer se queira, quer não. Isto dois dias depois de a equipa do Sim no Prós e Contras de Fevereiro ter ganho um Prémio Arco-Íris da ILGA-Portugal na cerimónia de ontem no Centro LGBT. É a révanche? Sim. Mas a révanche de quem pensa que se pode passar impunemente o argumento demagógico de que os direitos são referendáveis; de quem aposta no fantasma da adopção por razões que nada têm a ver com o interesse das crianças, sem distinguir entre conjugalidade e parentalidade e todos os assuntos (mais do que a adopção) que esta implica; de quem aposta no casamento mas com outro nome se todas as outras estratégias homofóbicas falharem. Até os cínicos provocadores que baralham casamento entre pessoas do mesmo sexo com poligamia e incesto vão lá estar. Uma verdadeira aliança de homofobia não-assumida, justamente no momento em que os eleitores votaram maioritariamente em partidos que compreenderam que o passo da igualdade no acesso ao casamento civil é o grande começo do fim da promoção da homofobia pelo Estado. Ou seja, amanhã vamos ter a aliança tramontano-cínica versus quem acredita nos princípios da igualdade e da dignidade. Lindo.





