A notícia de que o Bloco vai apresentar “já” o projecto de casamento é um engodo. É fazer chichi jornalístico. Desde logo porque o Parlamento ainda não está a funcionar plenamente: falta definir comissões, definir presidentes das ditas, colocar as lideranças dos grupos parlamentares a funcionar. Depois de conversas mútuas sobre diálogo e pontes, de vontade de garantir denominadores comuns que permitam alcançar os direitos das pessoas, a golpaça para os jornais a tentar de novo “entalar” o PS, e só isso - e isto depois de o BE não ter conseguido deputados suficientes para pressionar acordos com o PS, depois de rotundos “nãos” a hipóteses de acordos que implicariam cedências mútuas em muitas matérias. Regressa a chicana política, desta feita com o fito de estragar o efeito de novidade de o PS ter o casamento na agenda (reanunciado, aliás, por Sócrates, um dia antes desta “notícia” de hoje). Uma vez mais serão os gays e as lésbicas peões deste jogo? Mas não desesperemos. As coisas não são como o BE e a notícia dão a entender: há semanas para negociar e falar, e de qualquer modo qualquer projecto do Bloco na matéria será apresentado, discutido e votado em conjunto com projectos de outros partidos.
Os Tempos Que Correm
Miguel Vale de Almeida4 Comentários »
Pois mas asim o PS não tem hipoteses de passar o tema lá para o fim da legislatura, ou se as circunstancias politicas e a pressão da direita o exigirem , meter de novo na gaveta o projecto.
[…] Não se assustem in Os Tempos Que Correm […]
este post é cócó bloguistico
Sim, o PS tem o assunto agendado. Para que ano da legislatura? Presumindo que cumprirá 4 anos, será talvez lá para 2012/13?. Se temo um recuo de Sócrates? Muito. Sempre muito bem disfarçado com argumentos do género “não é o momento próprio” ou ” “no actual contexto de profunda crise económica não é assunto prioritário”. Enquanto não apenas Sócrates mas TODOS os deputados eleitos pelo PS não encararem a questão como de Direitos Humanos não consigo ter confiança que desta vez é que vai ser. Seria interessante ir sabendo (aqui, por ex.) como é que os seus 90 e tantos colegas de bancada se posicionam (no pun intended). Confiança e esperança em si? Essa está implícita e explícita uma vez que pela primeira vez na minha vida votei no PS porque um punhado (não mais…) dos seus candidatos, agora deputados, me inspiram respeito e admiração e partilham valores com que me identifico e batem-se por causas pelas que são também as minhas. Tenho a certeza que não vacilarão. Sentir-me-ia bastante mais tranquilo se pudesse ter a mesma confiança nos outros 90 ou 80 ou 70 deputados dos quais ou nada sei (a maioria) ou sei apenas que civilizacionalmente habitam um mundo que me é estranho. Antropologicamente interessante sem dúvida. But slightly worrying nevertheless…
Blog On, Miguel!
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