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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Arquivo para November.2009

The world upside down (now for real)

1. E, portanto, na Suíça os minaretes vão ser proibidos. Sábia decisão: não vá a Heidi ferir o rabiosque ao rolar Alpes abaixo fgindo do avôzinho. (O pior é que isto não é brincadeira nenhuma….)

2. Aparentemente o Sporting faz um concurso para dar uma game box a casais exclusivamente de sexo diferente. Seria excelente enviar umas cópias da Constituição àquele clube de futebol. E, já agora, um belo processo.

3. Cá se fazem, cá se pagam: «Tom Freeman and Katherine Doyle said they want to challenge “discriminatory” UK laws which restrict civil partnerships to same-sex couples. They plan legal action after their application was denied at Islington Register Office, north London. A spokesman for Islington Council said the pair’s request was refused because “the council must follow the law”. UK law permits only heterosexual couples to marry; same-sex couples can form civil partnerships

Margaret Cho: mormons e proposition “hate”

Quem estava por detrás da coisa:

Onde eles (os referendários) foram beber:

Isabel Moreira…

… says it all. Again.

Uma tarde com o país real

Hoje o trabalho político não é no Parlamento, mas sim nas “Tardes da Júlia”, pelas 14h. Um dia, e em breve, estaremos muit@s de nós a suspirar de alívio pelo fim desta luta pela igualdade no casamento - e a poder renovar forças para outras lutas por cumprir: na identidade de género, nas PMA, na parentalidade, no mainstreaming da luta contra a homofobia. Para não falar das outras áreas de igualdade para lá das questões lgbt - no género, nas questões de imigração e racismo, etc.

Falando para os jornais na varanda

«A proposta do Governo será aprovada pelo deputado independente Miguel Vale de Almeida, eleito nas listas do PS, mas o antropólogo prevê anexar uma declaração de voto. “O casamento não deve surgir juntamente com a adopção, justamente para distinguir a parentalidade da conjugalidade”, afirmou ao PÚBLICO. Vale de Almeida entende que o acesso ao casamento civil e a adopção por casais homossexuais possuem “igual urgência” e concorda com a proposta feita ao Governo pelo BE para separar a questão da parentalidade. “Mas consigo escalonar”, diz, “e ver que no quadro actual deve ser dada prioridade ao casamento”.» (Público)

Algumas confusões aqui.

1ª: Não “concordo com a proposta feita ao governo pelo BE”. Uma coisa é coincidir na opinião, outra concordar com uma proposta, como se tivesse tido conhecimento dela, coisa que não tinha.

2ª: Farei declaração de voto para marcar a minha opinião, desde sempre, a favor da igualdade nas várias questões de parentalidade, incluíndo a adopção. Mas isso não impede que considere prioritário, por realismo político e por perceber a sociologia quer do nosso sistema partidário quer da sociedade, que se consiga primeiro o consenso em torno do casamento.  

3ª: Que conjugalidade e parentalidade são esferas diferentes é uma questão de fundo, que deveria afectar, por razões diferentes, as propostas de todos os partidos. A meu ver o artigo 1979º (”quem pode adoptar plenamente”) nem devia estar ali.

Prós e Contras

O pequeno grupo, vindo ainda do movimento anti-escolha, que veio com a ideia do referendo já tinha uma vitória à partida: ter conseguido a realização do Prós e Contras. Mesmo assim, acho que o público ficou a perceber o que os motiva - a exclusão, e com base no preconceito.

Prémios Arco-Íris

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(falta o Henrique Feist, que já tinha saído. Foto do Correio da Manhã)

Salteadores dos Passos Perdidos, 5

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Numa das escapadelas para um cigarro, sai-se por uma porta que dá para as traseiras da residência oficial do Primeiro-Ministro. De manhã, os pavões adoram empoleirar-se na rampa de acesso a pessoas portadoras de deficiência. Ficam ali, ao lado de motoristas de carros oficiais e deputad@s tabagistas, como este vosso.

Esta foto foi tirada depois de ali ter ido para, numa escadaria, participar de foto oficial da tomada de posse na 1ª Comissão, a de Direitos, Liberdades e Garantias, que agora passa a incluir os assuntos de Igualdade. Fiquei também como efectivo na de Assuntos Europeus, sendo um dos vinte e tal deputados do meu grupo que tiveram de ficar efectivos em duas comissões - work, work, work. Como suplente, calhou-me a de Ética, Cultura e Sociedade. Para a semana as coisas entram em velocidade de cruzeiro, pois faltava a tomada de posse das comissões, onde o grosso do trabalho parlamentar é feito.

[Entretanto, amanhã há um Prós e Contras sobre casamento. Mas com um twist desagradável: foi claramente sugerido e incentivado pelo grupo que anda a pedir um referendo. Apesar dos protestos, não se escapa a estas coisas, pois elas são levadas avante quer se queira, quer não. Isto dois dias depois de a equipa do Sim no Prós e Contras de Fevereiro ter ganho um Prémio Arco-Íris da ILGA-Portugal na cerimónia de ontem no Centro LGBT. É a révanche? Sim. Mas a révanche de quem pensa que se pode passar impunemente o argumento demagógico de que os direitos são referendáveis; de quem aposta no fantasma da adopção por razões que nada têm a ver com o interesse das crianças, sem distinguir entre conjugalidade e parentalidade e todos os assuntos (mais do que a adopção) que esta implica; de quem aposta no casamento mas com outro nome se todas as outras estratégias homofóbicas falharem. Até os cínicos provocadores que baralham casamento entre pessoas do mesmo sexo com poligamia e incesto vão lá estar. Uma verdadeira aliança de homofobia não-assumida, justamente no momento em que os eleitores votaram maioritariamente em partidos que compreenderam que o passo da igualdade no acesso ao casamento civil é o grande começo do fim da promoção da homofobia pelo Estado. Ou seja, amanhã vamos ter a aliança tramontano-cínica versus quem acredita nos princípios da igualdade e da dignidade. Lindo.

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