Arquivo para August.2009
Alguma confusão noticiosa sobre o que disse ontem no Campus da JS em Santa Cruz. A propósito de questões de igualdade defendi dois pontos. O primeiro sobre como compete à geração mais jovem ultrapassar a cisão revolução/democracia liberal que herdámos do período revolucionário de 74-75 e da "normalização" do 25 de Novembro. O segundo sobre como compete à geração mais jovem integrar a sério as questões de combate à desigualdade socio-económica e as questões de combate à desigualdade de base identitária - ultrapassando assim quer o primado da primeira em muitas teorias de esquerda e o primado das segundas no modelo norte-americano que tende a globalizar-se. A propósito disto quis deixar bem claro que as questões de igualdade identitária, nomeadamente LGBT, não podem ser vistas como propriedade da esquerda mais radical - que as introduciu de modo mais visível em Portugal (ao contrário de outros países). Elas devem ser parte de sectores mais alargados, peocupados com a democracia, os direitos humanos e a dignidade. Ainda bem - e digo-o sem qualquer problema e até com um bocadinho de orgulho pelo que fiz por isso - que o Bloco de Esquerda assumiu as questões de igualdade para lá da socio-económica. Esse facto jogou um papel crucial na divulgação do assunto na política portuguesa - papel que, aliás, também a JS jogou. Mas não pode ficar propriedade de nenhum partido nem ser necessariamente associado a um partido. Até porque, em última instância, a força reivindicativa reside nos movimentos sociais e associações que agregam as pessoas que directamente sofrem com as discriminações.
Reduzir isto a uma questão politiqueira entre o PS e o BE é coisa que não me interessa nem motiva. Até porque bem mais importante é denunciar o projecto reaccionário do PSD neste campo. (publicado 1º no Simplex).
· 30.08.2009 · 11:49 · Categoria(s): gay, portugal, política · Tag(s): No Tags · Enviar
Faço minhas as palavras da Palmira no Simplex e as do Eduardo no Da Literatura. Caladíssimo em relação à inventona das escutas do governo, Cavaco Silva resolve interromper o silêncio anunciado intervindo directamente no imaginário político em torno da questão do casamento. Como? Recorrendo ao veto das alterações praticamente inócuas à Lei das Uniões de Facto.
· 24.08.2009 · 13:56 · Categoria(s): portugal, política · Tag(s): No Tags · Enviar

Partido mais próximo: PS; Partido mais distante: PNR.
Faça o teste aqui.
· 20.08.2009 · 13:53 · Categoria(s): devaneio, portugal, política · Tag(s): No Tags · Enviar

«O Púlpito conseguiu apurar que o senhor António da Silva escutou uma comunicação do Presidente transmitida pelas televisões. Segundo uma vizinha, que pediu para manter o anonimato, “ele não mudou de canal quando apareceu o Presidente”. Este é, segundo a mesma fonte, o segundo caso em menos de seis meses no bairro de Belém - embora a primeira ocorrência tenha atingido maior gravidade, já que se tratava de uma família inteira.»
· 20.08.2009 · 9:16 · Categoria(s): devaneio · Tag(s): No Tags · Enviar

· 17.08.2009 · 13:19 · Categoria(s): geral · Tag(s): No Tags · Enviar
Para quem ainda acha que “é tudo a mesma coisa”, gostava que me dissessem que teria o PSD feito - e que faria Manuela Ferreira Leite se ganhasse - em relação a questões de género como a IVG, a paridade, a violência doméstica, ou o divórcio, entre outras? E que teria o PSD feito - ou o que faria Manuela Ferreira Leite se ganhasse - com a CIG, que nos últimos anos articulou uma verdadeira política de género, mais chegada às pessoas e aos locais e mais inclusiva de outras categorias de discriminação que cruzam com o género? A política de género é justamente um dos “lugares” onde se faz a diferença - a diferença do combate à discriminação e pela igualdade. E a diferença entre direita e esquerda. (no Simplex)
· 17.08.2009 · 12:53 · Categoria(s): género, política · Tag(s): No Tags · Enviar
«Paulo Pedroso defende que o PS deve coligar-se preferencialmente com o PCP e o BE, caso vença as eleições com uma maioria relativa. Apoiando a defesa de uma coligação preferencial do PS à esquerda, o dirigente do socialista, que é candidato à presidência da Câmara de Almada, junta-se à defesa desta estratégia de governação, que foi sábado defendida pelo ex-líder do PS Ferro Rodrigues, em entrevista ao “Expresso”. Reconhecendo que “o PCP e o BE têm um problema do ponto de vista do que é a sua visão da situação internacional, que data dos anos 70″, Pedroso considera que no que se refere “à política interna não há nada de incompatível entre o PCP e o BE e o que o PS defende, tirando a retórica e as prioridades de agenda”.» (Público)
Os democratas progressistas não gostam de duas coisas: da ideologia do mercado e da ideologia da revolução. Em Portugal, se quiserem participar em alguma forma de política organizada, têm tido sobretudo dois espaços: o PS e o BE. Num correm o risco de assistir a cedências à ideologia do mercado, no outro ao ressurgimento da ideologia da revolução. Os democratas progressistas subscrevem a democracia parlamentar e defendem que o exercício do poder deve ser marcado pela responsabilidade de avançar com reformas que garantam a melhoria de vida das pessoas, material e simbolicamente, recusando o neo-liberalismo e a utopia revolucionária. Neste momento há democratas progressistas no PS e no BE, como militantes, apoiantes ou independentes em listas. Poderiam e deveriam dialogar mais, ou em clubes de ideias, ou em blogs, ou em movimentos cívicos e sociais concretos. Não para criar partidos novos ou estimular facções em cada partido - mas para assumir a responsabilidade de assegurar mudanças com base em valores progressistas.
· 17.08.2009 · 12:36 · Categoria(s): portugal, política · Tag(s): No Tags · Enviar
… mas a culpa não é minha: a partir de hoje não publicarei mais comentários de anónimos e/ou de pessoas com endereços de e-mail falsos que não permitam o contacto.
· 17.08.2009 · 9:57 · Categoria(s): geral · Tag(s): No Tags · Enviar
Manuela Ferreira Leite não vai às festas do seu próprio partido. Manuela Ferreira Leite não apresenta um programa eleitoral. Manuela Ferreira Leite finge não se preocupar com a retirada de apoio de Moita Flores. Manuela Ferreira Leite cala-se o mais possível. Manuela Ferreira Leite percebeu a “psicologia histórica” profunda do Portugal herdeiro do salazarismo. A senhora latifundiária fica em casa, à sombra, fazendo as contas; os feitores são enviados para o campo para lidar com os trabalhadores; e estes constroem histórias sobre os poderes misteriosos da senhora resguardada no seu santuário. Salazar, Cavaco, Ferreira Leite: a tradição está viva.
· 16.08.2009 · 12:03 · Categoria(s): portugal, política · Tag(s): No Tags · Enviar
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