WWW.MIGUELVALEDEALMEIDA.NET inicio mail me! Formato tipografico grande Formato tipografico medio Formato tipografico pequeno RSS/ XML/ Sindicação

Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Arquivo para January.2009

Na Antena 1…

sobre Harvey Milk. (ou a partir daqui)

Um homem normal

Publicado hoje no Ípsilon do Público:

«Escrevo estas linhas no dia da tomada de posse de Obama, o presidente que ficará conhecido pela ressuscitação da ideia de “esperança”. Essa ideia, tão cara ao imaginário optimista, mesmo utópico e, por vezes, messiânico dos americanos - e que cala ainda mais fundo na cultura afro-americana, politicamente madura no dia do discurso “I have a Dream” de Martin Luther King, em 1963. Talvez um preconceito difuso e generalizado não nos deixe imaginar a “esperança” como ideia anímica mobilizadora dos gays e das lésbicas. Mas foi-o, e há uns bons trinta anos, pela boca de Harvey Milk. O seu “Give Them Hope” foi proferido em 1978 durante mobilizações gay e lésbicas que se opunham a uma proposta legislativa que defendia a expulsão dos professores do ensino público que fossem assumidamente homossexuais ou que participassem no movimento pelos direitos de gays e lésbicas. Mas de que esperança falava ele? Não da esperança enquanto sentimento vago, relativo a algo de bom que está para vir. O conceito aparece no discurso sob a forma de um apelo: “Dêem-lhes esperança”. A quem? Às personagens paradigmáticas a quem o discurso foi endereçado: o jovem rapaz ou a jovem rapariga que sofre a homofobia da sua cidadezinha natal, algures na América profunda e que anseia por fugir para uma cidade como São Francisco.» (continuar a ler no Ípsilon)

Jóhanna Sigurðardóttir

225px-johanna_sigurdardottir_official_portrait.jpg

Pior ainda

O que mais me assusta nesta história do Freeport? Poder vir a ter Ferreira Leite como primeira-ministra.

E agora um “feel-good movie”

saint-milk.jpg

A Hollywood-indústria, a Hollywood dos Oscars, a Hollywood das grandes produções, do grande marketing e do star system já ofereceu a toda a gente um filme popular e de grandes audiências sobre o HIV/Sida e a época em que a pandemia esteve associada aos gays - infelicidade que todavia serviu de mola para o ressurgimento do movimento LGBT. Fê-lo - e ainda com muita timidez, com Philadelphia. Já nos ofereceu um filme sobre a homofobia interiorizada (e não só), os efeitos da masculinidade mais heterossexista e patriarcal, e a força com que pode emergir, apesar de tudo, o desejo e a paixão amorosa gay. Fê-lo com  Brokeback Mountain. Oferece-nos agora um filme sobre o próprio movimento e a sua política, em torno do primeiro político americano fora do armário (ainda que seja pena não estar nada previsto sobre o 40º aniversário de Stonewall). Fá-lo com o filme que estreia esta semana, Milk.

Precisamos agora que esta indústria, e estrelas como os Hanks, os Ledger, os Gyllenhaal, os Penn (e tantos outros, sobretudo outras) nos faça um feel good movie sobre amor, casais de gays e de lésbicas, pais e filhos. Um filme que consiga emocionar toda a gente. Da mesma forma que os gays e as lésbicas sempre se emocionaram com muitas histórias de amor, família e parentalidade - heterossexuais em 99,9% dos filmes.

(A imagem - bem humorada - é daqui).

Rabbit, run

«America is a vast conspiracy to make you happy.»

«Most of American life consists of driving somewhere and then returning home, wondering why the hell you went.»

(John Updike)

Ainda bem que a democracia é chata

Esclarecendo outro post: temos, como acontece em todas as democracias, um longo historial de casos semelhantes ao do Freeport - siresp, casino de lisboa, portucale…Sobre esta coisa do Freeport, há uma espécie de mantra democrático que devemos repetir até à exaustão: os políticos são nossos representantes e devem prestar-nos contas; a imprensa tem a obrigação de dar conta dos casos problemáticos ao público; quando há suspeitas sobre a actuação dos poíticos a justiça deve esclarecer a verdade com celeridade. Descoberta a verdade, políticos e imprensa devem tirar as devidas ilações no caso de se terem portado mal; e a justiça deve puni-los/la, bem como o público. Parece banal, pouco entusiasmente, chocho. Pois é, mas ninguém prometeu que a democracia ia ser extraordinária, excitante e sexy. Isso são-no os regimes de excepção e as revoluções. A democracia é chata e dá trabalho. Casos como este são o picante da democracia. É bom usar, mas convém não abusar.

Sócrates tem um problema político nas mãos. E tem um drama: admitindo que tem razão, só pode resolver o problema político se a justiça resolver o problema judicial. E esta vai demorar, demorar, demorar. Admitindo que não tem razão, resta-lhe esperar que a justiça seja lenta. E esta vai demorar, demorar, demorar. Enquanto o empastelanço se prolongar, viveremos com a suspeita, é certo, mas devemos viver também com a presunção da inocência. Sobretudo devemos viver com cuidado em relação ao que políticos e media (e em Portugal parece que também a Justiça, com o seu extraordinário sistema de fugas…) dizem.

Are we maddie?

Sócrates, ano de eleições, Freeport, Felícia Cabrita, Procuradoria-Geral da República, lentidão da justiça portuguesa, justiça inglesa à mistura… Hummm… Are we maddie? Again?

Apontamentos da crise

260109.png

César das Neves, é claro, tem a solução para a crise:

«O problema não está nos salários dos operários, que na indústria vivem intensa concorrência europeia. São os ordenados dos ministros, funcionários, bancários, professores, médicos e outros. De todos, até dos críticos. A solução para a crise não vem da qualidade da classe política e outros temas habituais dos lamentos. Passa, em boa medida, por uma expressão que Cavaco Silva usava há 15 anos e nunca se ouviu desde então: moderação salarial.» (DN)

Mas no The Onion sabem ir mais directos ao assunto:

«How are we doing today? How we doin’? Great, great. You’re looking good. Love the shirt. Let me guess: Christmas present? Knew it. Great. Hey man, whenever you get a sec—and it’s no biggie—I was hoping you could just pop on over to my office real quick so I can fire you. Nothing to worry about. Trust me. Just a short little one-on-one session about you being fired. We’ll have a bit of unnecessary and degrading small talk and then I’ll clunkily segue into terminating your position here. I’ll follow up by apologizing like I care and that’ll be that. The whole thing will take a second out of your day. Promise. You’ll be in and out and unemployed in no time.»

Pirataria e “gajas”

Oiço e leio tantas compitas sobre o blogómetro (quem sobe, quem desce, etc.) que fui ver. Deparei com um ranking em que os 5 primeiros são isto: “Pirata Tuga”, sítio para downloads; “Obvious” (não percebi o que é, é assim muita coisa junta); “Portugal Séries”, sítio para downloads das ditas; “Listas 10″, um sítio de … listas; e “Gaijas da TV”, uma coisa meio irreal, em sintonia com o título.

Entradas seguintes »