Na Antena 1…
…sobre Harvey Milk. (ou a partir daqui)
…sobre Harvey Milk. (ou a partir daqui)
Publicado hoje no Ípsilon do Público:
«Escrevo estas linhas no dia da tomada de posse de Obama, o presidente que ficará conhecido pela ressuscitação da ideia de “esperança”. Essa ideia, tão cara ao imaginário optimista, mesmo utópico e, por vezes, messiânico dos americanos - e que cala ainda mais fundo na cultura afro-americana, politicamente madura no dia do discurso “I have a Dream” de Martin Luther King, em 1963. Talvez um preconceito difuso e generalizado não nos deixe imaginar a “esperança” como ideia anímica mobilizadora dos gays e das lésbicas. Mas foi-o, e há uns bons trinta anos, pela boca de Harvey Milk. O seu “Give Them Hope” foi proferido em 1978 durante mobilizações gay e lésbicas que se opunham a uma proposta legislativa que defendia a expulsão dos professores do ensino público que fossem assumidamente homossexuais ou que participassem no movimento pelos direitos de gays e lésbicas. Mas de que esperança falava ele? Não da esperança enquanto sentimento vago, relativo a algo de bom que está para vir. O conceito aparece no discurso sob a forma de um apelo: “Dêem-lhes esperança”. A quem? Às personagens paradigmáticas a quem o discurso foi endereçado: o jovem rapaz ou a jovem rapariga que sofre a homofobia da sua cidadezinha natal, algures na América profunda e que anseia por fugir para uma cidade como São Francisco.» (continuar a ler no Ípsilon)
O que mais me assusta nesta história do Freeport? Poder vir a ter Ferreira Leite como primeira-ministra.
A Hollywood-indústria, a Hollywood dos Oscars, a Hollywood das grandes produções, do grande marketing e do star system já ofereceu a toda a gente um filme popular e de grandes audiências sobre o HIV/Sida e a época em que a pandemia esteve associada aos gays - infelicidade que todavia serviu de mola para o ressurgimento do movimento LGBT. Fê-lo - e ainda com muita timidez, com Philadelphia. Já nos ofereceu um filme sobre a homofobia interiorizada (e não só), os efeitos da masculinidade mais heterossexista e patriarcal, e a força com que pode emergir, apesar de tudo, o desejo e a paixão amorosa gay. Fê-lo com Brokeback Mountain. Oferece-nos agora um filme sobre o próprio movimento e a sua política, em torno do primeiro político americano fora do armário (ainda que seja pena não estar nada previsto sobre o 40º aniversário de Stonewall). Fá-lo com o filme que estreia esta semana, Milk.
Precisamos agora que esta indústria, e estrelas como os Hanks, os Ledger, os Gyllenhaal, os Penn (e tantos outros, sobretudo outras) nos faça um feel good movie sobre amor, casais de gays e de lésbicas, pais e filhos. Um filme que consiga emocionar toda a gente. Da mesma forma que os gays e as lésbicas sempre se emocionaram com muitas histórias de amor, família e parentalidade - heterossexuais em 99,9% dos filmes.
(A imagem - bem humorada - é daqui).
«America is a vast conspiracy to make you happy.»
«Most of American life consists of driving somewhere and then returning home, wondering why the hell you went.»
(John Updike)
Esclarecendo outro post: temos, como acontece em todas as democracias, um longo historial de casos semelhantes ao do Freeport - siresp, casino de lisboa, portucale…Sobre esta coisa do Freeport, há uma espécie de mantra democrático que devemos repetir até à exaustão: os políticos são nossos representantes e devem prestar-nos contas; a imprensa tem a obrigação de dar conta dos casos problemáticos ao público; quando há suspeitas sobre a actuação dos poíticos a justiça deve esclarecer a verdade com celeridade. Descoberta a verdade, políticos e imprensa devem tirar as devidas ilações no caso de se terem portado mal; e a justiça deve puni-los/la, bem como o público. Parece banal, pouco entusiasmente, chocho. Pois é, mas ninguém prometeu que a democracia ia ser extraordinária, excitante e sexy. Isso são-no os regimes de excepção e as revoluções. A democracia é chata e dá trabalho. Casos como este são o picante da democracia. É bom usar, mas convém não abusar.
Sócrates tem um problema político nas mãos. E tem um drama: admitindo que tem razão, só pode resolver o problema político se a justiça resolver o problema judicial. E esta vai demorar, demorar, demorar. Admitindo que não tem razão, resta-lhe esperar que a justiça seja lenta. E esta vai demorar, demorar, demorar. Enquanto o empastelanço se prolongar, viveremos com a suspeita, é certo, mas devemos viver também com a presunção da inocência. Sobretudo devemos viver com cuidado em relação ao que políticos e media (e em Portugal parece que também a Justiça, com o seu extraordinário sistema de fugas…) dizem.
Sócrates, ano de eleições, Freeport, Felícia Cabrita, Procuradoria-Geral da República, lentidão da justiça portuguesa, justiça inglesa à mistura… Hummm… Are we maddie? Again?
César das Neves, é claro, tem a solução para a crise:
«O problema não está nos salários dos operários, que na indústria vivem intensa concorrência europeia. São os ordenados dos ministros, funcionários, bancários, professores, médicos e outros. De todos, até dos críticos. A solução para a crise não vem da qualidade da classe política e outros temas habituais dos lamentos. Passa, em boa medida, por uma expressão que Cavaco Silva usava há 15 anos e nunca se ouviu desde então: moderação salarial.» (DN)
Mas no The Onion sabem ir mais directos ao assunto:
«How are we doing today? How we doin’? Great, great. You’re looking good. Love the shirt. Let me guess: Christmas present? Knew it. Great. Hey man, whenever you get a sec—and it’s no biggie—I was hoping you could just pop on over to my office real quick so I can fire you. Nothing to worry about. Trust me. Just a short little one-on-one session about you being fired. We’ll have a bit of unnecessary and degrading small talk and then I’ll clunkily segue into terminating your position here. I’ll follow up by apologizing like I care and that’ll be that. The whole thing will take a second out of your day. Promise. You’ll be in and out and unemployed in no time.»
Oiço e leio tantas compitas sobre o blogómetro (quem sobe, quem desce, etc.) que fui ver. Deparei com um ranking em que os 5 primeiros são isto: “Pirata Tuga”, sítio para downloads; “Obvious” (não percebi o que é, é assim muita coisa junta); “Portugal Séries”, sítio para downloads das ditas; “Listas 10″, um sítio de … listas; e “Gaijas da TV”, uma coisa meio irreal, em sintonia com o título.