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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Arquivo para October.2008

Já não nos contêm

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Acabo de assinar a petição. Sobre o quê? Ora bem: Mota Engil, Jorge Coelho, PSzão e estivadores (ah!, esses grandes protagonistas do movimento operário - ou deveria dizer do lumpen-proletariado ou, melhor ainda, dos clientes do patronato?). Já nada nos contém.

Pessoal e transmissível

Mais ainda do que blogs ou sites disto e daquilo, gosto de webpages, dessas que se fazem para consumo da família e amigos, dessas que um professor faz para os seus alunos, dessas que unem pequenos grupos, desde vizinhos de um prédio a viajantes pela Índia ou pela Terra do Fogo. Por exemplo, esta, onde cheguei a partir daqui.

Zarpou

OK, esta vai parecer um bocado reacionarota (já abandonei os dois c), mas lembram-se quando a Cais começou? Como aquilo tinha todo um código de ética, uns uniformes, e os vendedores não podiam pedir esmola? Era dignificante (a sério). Mas de há uns tempos para cá, sempre que recuso comprar a revista @ vendedor/a pede-me esmola. O que é que aconteceu pelas bandas da Cais? (em stereo)

You may keep your kingdom

Fui ver a escola com melhor classificação nos rankings. Nem morto metia uma criança minha numa coisa que se apresenta assim: «Formar: como comunidade educativa, educamos em mútua interacção, ao estilo de Jesus Cristo, segundo a visão inaciana, na busca dos valores do Reino.»

Bode expiatório

OK, confesso, a culpa foi minha… Se calhar porque, quando comparados os programas e posições, Hillary Clinton entusiasmava mais ( a cabeça, that is, não o coração…) (em stereo aqui)

Mais do país onde o tempo era mais lento

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Sócrates ao DN de hoje:

«P: No último congresso disse que os casamentos homossexuais iriam constar do programa eleitoral do PS às próximas eleições. Mantém? R: Eu não disse isso. Nunca disse, nem disse sequer no programa eleitoral. P: Diz-se que disse. R: Diz-se que disse, pois. Mas não disse. P: Então, mas, já agora, o que é que disse? R: O que eu disse na campanha eleitoral, quando me perguntaram sobre o assunto, é que isso não fazia parte da agenda política do PS, nem sentia uma necessidade social para responder a isso, nem o PS se candidatava para fazer apenas experimentalismo político e com ideia de fazer mudanças fracturantes. Não era para isso que o PS se candidatava. Nessa altura, aliás, tive oportunidade de dizer o que pensava. Eu sou a favor, toda a gente sabe isso. Sou muito liberal nesse domínio, e sempre o disse. Mas eu procuro conter aquilo que são os meus caprichos. Sou o líder de um partido, e de um partido que tem uma ambição de governar. E por isso não me sinto legitimado para fazer uma mudança no País que não estava expressa no nosso programa eleitoral. P: Mas se o congresso do PS discutir isso no princípio do ano?? R: Foi o que expliquei: nunca discutimos isso no partido, nunca discutimos isso na sociedade. P: Neste momento não se compromete com essa questão para o programa para as próximas eleições? R: Veremos, veremos! Não me quero comprometer com nada a não ser com um debate dentro do PS e na sociedade. Reparem, eu não lidero um pequeno partido. Admito que os pequenos partidos possam ter agendas para responder apenas aos seus simpatizantes. O PS é um partido que aspira a ter um conjunto de propostas nas quais uma grande maioria [de pessoas] se possa rever. Eu convivo bem dentro do partido com pessoas que pensam de formas diferentes em muitas matérias. E para acabar: essa questão não foi suficientemente discutida no País para agora um parlamento dizer, de um dia para o outro, que vai aprovar essa lei. P: Mas eu não estava a falar deste processo passado, estava a falar do futuro? R: Quanto ao futuro, como digo, sou a favor, tenho essa posição há muito tempo. P: Mas não se compromete que isso esteja no programa eleitoral? R: Não me comprometo, porque é preciso envolver muito mais pessoas. Nunca ouvi outras pessoas. Nunca discutimos isso no Secretariado, na Comissão Política, na Comissão Nacional, no Congresso?. Há momentos para tudo.»

Veja-se agora qual a grande novidade em relação a isto:

Pedro Silva Pereira no Público, em 17 de Julho de 2006, há dois anos: «R: Estou apenas a dizer que não devemos transmitir uma imagem errada de que o PS tem uma obsessão por uma qualquer agenda fracturante. Nesse caso, trata-se de uma proposta da JS que não consta sequer do compromisso eleitoral do PS e muito menos do Governo quanto a alterações nessa matéria, mas que o PS certamente discutirá, internamente, na altura própria. P: Mas a sua opinião pessoal qual é? R: É que o PS deve discutir na altura própria. P: Espanha é o modelo a seguir? R: Eu acho que devemos estar disponíveis para corrigir as situações de discriminações que possam existir na sociedade portuguesa e devemos avaliar as soluções. O que o PS preconiza é que se faça um debate que permita identificar a melhor solução. Há vários cenários possíveis. O da JS é apenas um

E no DN de 8 de Agosto desse ano podia ler-se: «A direcção da JS optou ontem por um recuo estratégico na apresentação da sua proposta de legalização do casamento homossexual (…) O porta-voz do PS, Vitalino Canas, reafirmou ao DN a posição socialista de que “esta não é uma questão prioritária” e que “deve ser objecto de um amplo debate“, mas que “não deve ser decidido nesta altura”. Esta é uma posição que só poderá ser alterada “se houver um movimento maioritário que coloque o tema na agenda, ou uma decisão do Tribunal Constitucional»

Para a cúpula do PS, portanto, nada aconteceu em 2 anos. Nem sequer no dia 10 de Outubro.

(negritos meus)

Parte do problema

Tirando-me as palavras da boca. Obrigado, Castro Caldas.

Lisboa igualitária

Soube disto por mero acaso: na terça-feira passada foi aprovada na Assembleia Municipal de Lisboa uma moção a favor da alteração da lei para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, com os votos favoráveis do PS, PCP, PEV e de quatro deputados do PSD. Todos os deputados do PS votaram a favor. Houve 4 votos favoráveis do PSD, tendo o resto do grupo parlamentar optado pela abstenção.

Será que a AML não informou a imprensa? Ou informou e esta não pegou na notícia?

PS: Acrescento este ps, por causa de um erro estúpido no meu post. Falta o Bloco, claro. Que, aliás, foi quem apresentou a moção.

Os Haiders deste mundo

A propósito do coming out do sucessor de Haider, alguns pontos de princípio que convém afirmar: 1)Ter uma determinada orientação sexual – hetero ou homo – é independente da visão do mundo e das opções políticas. Para usarmos o caso português, há gays e lésbicas (e heteros) do PNR ao Bloco. 2) Outra coisa é ter um pensamento político sobre a sexualidade e as suas implicações ao nível dos direitos. Mas até aí se pode ter desde uma atitude liberal democrática básica até uma atitude de questionamento radical do patriarcado e do heterossexismo. 3) Relevante, sim, é como as pessoas vivem a homofobia. Rejeitam-na? Lutam contra ela? Aceitam-na? Interiorizam-na? Aí, e no que diz respeito aos gays e lésbicas – e porque são minoria e minoria menorizada – decidir ficar no armário ou fazer o coming out é fulcral. 4) Mas nem toda a gente pode fazer o coming out, pelo preço que podem ter que pagar. Nem sempre isso significa interiorização da homofobia ou complacência com ela. Relevante é quando se é político profissional ou se ocupa um cargo político. Nesse caso, ficar no armário pode, em alguns casos, ter a ver com opções individuais de recusa de partilha da vida “privada”; mas quando ficar no armário vai junto com tomar, activa ou passivamente, posições homofóbicas ou ficar calado perante injustiças, então estamos perante uma duplicidade ética inaceitável. 5) Recusar e combater a homofobia une-me muito mais a muitos heteros do que me une a orientação sexual a pessoas como Haider.

Não há como gozar consigo mesm@…

PS: esqueci que foi via Renas, claro.

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