Pequeno intervalo em Lisboa
Meus deuses, será que vem aí a Dama de Leite?
Meus deuses, será que vem aí a Dama de Leite?
Passando o 25 de Abril em Dublin. Anda-se pelas ruas e há por todo o lado bandeiras anunciando o Festival de Teatro Gay. É então que reparo no logo: Oscar Wilde comum cravo na boca.
PS: Ah, e catazes que dizem “Say no to Lisbon” (aqui há referendo ao Tratado da dita…)
O 25 de Abril vai ter o tempo noticioso ocupado com Ferreiras Leites, Santanas, Jardins e Menezes. Estas pessoas vão levar-nos directos para os divãs dos psicanalistas em dois tempos. A minha cabeça, pelo menos, já se baralha toda: falam-me desta gente e vêm-me logo imagens de avozinhas, porquinhos, lobos, sopros, comezainas, traições, terrores nocturnos, pai-por-favor-deixa-a-luz-acesa. No meio disto não há cravo que medre.
Estamos de parabéns em Lisboa:
«São três memoriais num só, três peças para afirmar Lisboa como cidade cosmopolita e multicultural, evocando o pior massacre que aconteceu na capital, em 1506, e que vitimou entre dois mil e quatro mil judeus. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o cardeal-patriarca e o presidente da Comunidade Israelita inauguram hoje, às 11h00, no Largo de São Domingos, um conjunto escultórico que pretende fazer memória do massacre de judeus em 1506, iniciado precisamente naquele lugar.» (Público)
Vão achar que estou obcecado. Bem… estou. Mas fico fora de mim quando oiço Cavaco elogiar a “obra” de Jardim. Pior: fico fulo quando oiço toda a gente elogiar a “obra” de Jardim, sempre “distinguindo” entre as barbaridades do homem e a obra “que há que reconhecer” (what the fuck?). Caramba. A “obra” (mesmo que aceitemos não a discutir…) não é de mais gente e de mais instituições? Não é de mais do que de um indivíduo cujo cargo emana duma assembleia eleita que ele próprio (e Cavaco) desrespeita?
Pois. Mas o problema não é “quem sou eu para falar com o ISCTE”. O problema é quem é ela para falar seja do que for. Da última vez que li a Constituição não encontrei lá nenhuma referência a um cargo chamado primeira-dama.
Mas a Madeira parece fazer mesmo mal ao casal. O Presidente diz aos jornalistas, numa tentativa falhada de ironia, que está um lindo dia e não sei quê, numa demonstração de que “o Presidente traz bonança”. Juro que o ouvi dizer isto num telejornal. Por breves segundos vi-me transportado para uma monarquia absoluta, para os tempos dos reis taumaturgos, para reis semi-divinos que controlam a meteorologia.
Lembram-se de quando muitos de nós ficámos apreensivos com a eleição de Menezes?
Lembram-se do receio de que pudesse vir aí um líder populista, um berlusco à portuguesa? Lembram-se?
Às vezes é tão deliciosamente bom uma pessoa enganar-se.
«”A Igreja fará todos os possíveis para sarar as feridas provocadas pelos padres pedófilos”, garantiu Bento XVI ainda a bordo do Shepherd 1. “Estamos profundamente envergonhados”, disse, referindo-se ao escândalo que rebentou em 2002 e deixou muitas dioceses americanas na falência. As indemnizações às mais de cinco mil vítimas custaram à Igreja católica dois mil milhões de dólares.» (DN)
A pergunta que se impõe é esta: mas isto só acontece nos EUA?