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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Arquivo para devaneio

Talvez por ser feminista…

… ou então por uma questão de personalidade, sempre “confundi” o público com o privado (já o íntimo é outra coisa, sob reserva). Faz por estes dias um ano que intervim pela primeira vez como candidato. Foi a dias do começo da campanha eleitoral, na Convenção Nacional do PS no Coliseu de Lisboa e o meu discurso, focado na questão do casamento, não foi muito diferente do que viria a fazer a 8 de Janeiro de 2010 no Parlamento. Estava irremediavelmente lançado no espaço público por excelência. Horas depois, literalmente, a minha vida privada – o meu “casamento” – explodia (ou implodia, sei lá). Começava assim uma travessia do deserto – há coisa mais pública do que um deserto, sem refúgio de espécie alguma? – com o casamento como tema sistemático de intervenção. Público e privado contaminavam-se mutuamente, aumentando a carga viral. I’m not a victim and there’s no one to blame – but it was fucking hard. Hoje, um ano depois, há dias em que cheira a oásis. Até que pode ser miragem. Mas quem pára no meio do deserto por causa de uma dúvida tão tola?

Leãozinho

… e agora um pouco de “inverno”

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not exactly ANY which way, but ok…

let’s take a blue break

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Goddam stupid self

Tod@s sabemos que a vida é feita de mudanças, bla, bla, bla. Sabemos que a maturidade relativa se constrói no confronto com essas mudanças. E temos a noção moral de que há males piores que outros: sabemos que a morte de alguém próximo, uma doença grave ou um descalabro laboral e financeiro são mais graves do que um mal de amor, um coração partido. Mas enquanto não nos acontece nenhuma desgraça daquelas (ah, mas… segredo imoral e inconfessado por muita gente: mesmo quando nos acontece…) tememos secretamente o broken heart.Há, claro, razões culturais para isso. Mas pouco importam e nada apaziguam: vivemos as nossas emoções com os guiões que interiorizámos e isso é quanto basta - não há uma forma pura para lá do nosso contexto. Se sofremos dentro dos parâmetros narrativos e simbólicos da nossa cultura, sofremos e ponto. O coração partido é uma merda. A pessoa com o coração partido compara a sua situação (deuses, a imoralidade da coisa…) com a morte de alguém e diz “pelo menos na morte há closure“; a pessoa com o coração partido compara a situação com a doença e diz “pelo menos a doença combate-se e, em último caso, conduz ao fim e com ele ao fim do coração partido”; a pessoa com o coração partido compara a situação com a pobreza  e diz “em pouco ou nada alteraria o que sinto, apenas pioraria as coisas”. And so on. É assim, perdoem a imoralidade.O problema do coração partido é esse: instala-se, define a pessoa, corrói as defesas, cerceia a capacidade de acção, abala a fé. É um vírus, uma bactéria, uma espécie de deficiência que não está prevista pela segurança social ou pelas regras de construção de edifícios. O coração partido mina a auto-estima, obriga ao revisionismo do passado, enegrece o futuro, rói-mói-dói como uma enxaqueca permanente. Não há enterros e lápides, remédios eficazes e terapias, rendimentos sociais de inserção - apenas rituais palermas de esquecimento, “deboches” e “sacanagens” temporários para esquecer (com efeitos secundários), compensações materiais tendencialmente ruinosas. É um esperar, um esforçar para sair da cama, um penar o cumprimento de rotinas, até que… Até que… fuck if we know.E, sim, é uma morte-viva, uma doença crónica, uma miséria (uma misery…) latente. Se acontecer tarde na vida, depois de décadas de feliz afastamento dessa experiência, é exponenciada pela lucidez e pela maturidade - coisas que, ao contrário do que o povo diz, não ajudam coisíssima nenhuma, apenas tornam tudo mais pateticamente duro. “É a vida”, “segue em frente”, “esquece”, “aprende-se muito” e “leva tempo” são as pérolas que a pessoa com o coração partido mais ouve. Pérolas de contrabando, diz o partido raivoso. Mas com a perseverança e o estoicismo de quem assiste a um funeral, se dedica a uma terapêutica dura ou conta os tostões para chegar ao fim do mês, talvez as pérolas vão parecendo verdadeiras. Talvez. Desistir (ah, thanatos contra eros…) é que não vale: ao menos que o coração partido não parta outros corações. (Happy vacation, you goddam stupid self)

Enough…

…blood (and enough tears). Only sweat. Back to férias :-)

Inauguração oficial do verão

Let’s be lighthearted, lifehearted ‘and like’…

end » begin » end » begin (…)

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