Beijo
Subscrevo a carta aberta à TVI, por causa da cedência à pressão homofóbica no caso “Morangos com Açúcar”, aqui.
Subscrevo a carta aberta à TVI, por causa da cedência à pressão homofóbica no caso “Morangos com Açúcar”, aqui.
De um lado uma forma cada vez mais extremada de percepção pública dos deputados e das deputadas: são à partida considerados/as infrequentáveis e ao mesmo tempo são-lhes exigidas qualidades de superhomens e supermulheres. Do outro lado uma forma cada vez mais aflita e sitiada de os/as deputados/as se verem a si mesmos, agindo no limiar da emoção e protegendo-se mutuamente, através da solidariedade imediata, do que sentem ser um desprezo generalizado. Assim ninguém vai a lado nenhum. Posto isto, que tal o bom-senso de dizer duas coisas ao mesmo tempo e colocando-as ao mesmo nível: ninguém (e pior ainda se for um deputado) pode apropriar-se indevidamente dos gravadores dos jornalistas (é preciso dizê-lo?); ninguém deve fazer (mesmo se a um deputado) perguntas insultuosas e assentes em boatos e não em investigações.
Ricardo Rodrigues não deveria, obviamente, ter pegado no gravador do jornalista. Ele próprio já o disse. E aquele acto tem uma dimensão extra, política, por ser deputado. Mas quando vejo o vídeo fico furioso: o jornalista acabava de lançar uma pergunta, assumidamente com base num boato, e relacionada com pedofilia. Isso é torpe e jornalismo-armadilha. Que faria eu na mesma situação? - é a primeira pergunta que me faço. E não sei sinceramente responder. (Há uma coisa que sei, no entanto: gosto muito de trabalhar com Ricardo Rodrigues e admiro a frontalidade dele em muitas posições difíceis que é necessário tomar dentro da A.R.).
O artigo de José Vítor Malheiros (excepto numa coisa: as tomadas de posição que são pedidas foram feitas; só que não vendem jornais - e ja está estabelecida em Portugal a “verdade” negativa sobre @s deputad@s)
«O conselho de administração da Assembleia da República aprovou finalmente na semana passada o pagamento das viagens semanais da deputada Inês de Medeiros a Paris - a cidade onde reside, apesar de ter sido eleita pelo círculo eleitoral de Lisboa. A decisão - tomada depois de o conselho de administração e o presidente do Parlamento terem empurrado um para o outro a decisão e depois de pedido um parecer jurídico - não é mais que a aplicação do critério utilizado na Assembleia da República relativamente aos deputados que residem nas regiões autónomas e a quem o Parlamento também paga viagens semanais à sua zona de residência. A decisão é razoável e, o que é igualmente importante, resulta da aplicação de um critério - o que significa que respeita a indispensável equidade no tratamento dos deputados. A decisão constitui um caso “único”, mas não é uma “excepção” a qualquer regra. Apesar disso, a decisão foi criticada pelo PSD e foi recebida com um coro de violentos protestos na webosfera, com os habituais comentários sobre a desonestidade e o parasitismo dos deputados. Um inquérito on-line feito neste jornal dava ontem 7918 votos contra o pagamento a Inês de Medeiros (93,7 %) e 536 a favor (6,3%). Ler o resto da entrada »
O noticiário de uma TV (a SIC-N) das 12h começa com esta frase de abertura: «Pedro Passos Coelho não esconde que pretende ser primeiro-ministro», seguida de «promete marcação cerrada a Sócrates». Ora, porque haveria de esconder? Não é aquela a ambição natural do líder da oposição, parte da sua job description? E porque não haveria de ser cerrada a marcação? Esperar-se-ia que fosse suave? Tornar o evidente em extraordinário é um dos truques de promoção mais básicos. Começou a campanha mediática “Passos Coelho a primeiro-ministro já!”?
PS com private joke: não consigo escrever “PPC” para referir Pedro Passos Coelho. Na minha esfera de relações essas iniciais já têm don@.
«(…)O escabroso espectáculo no Parlamento, fornecido por Mário Crespo, José Manuel Fernandes e Felícia Cabrita, tidos como apreciáveis jornalistas (enfim: a estimativa não é generalizada, bem pelo contrário) desacreditou, ainda mais, o já azarento ambiente em que vive a Imprensa. Todos eles atingiram o grau mais elevado do grotesco, ao mesmo tempo que demonstraram quão frágeis e esburacados foram os seus argumentos. Afinal, existe mesmo liberdade de expressão e de informação, e esta sofre as mesmas ameaças e perigos existentes nas sociedades modernas. A vitimização pode ser sedutora, mas resulta sempre numa transparência que os factos tornam obrigatória. A presença dos três sujeitos chegou a ser aflitiva por declaradamente arrogante, e apenas revelou o verdete que alimentam por José Sócrates. É pouco. É nada. O ódio não se confessa, mas nota-se, e marca o desejo inconsciente de destruir do outro. Haja Freud! Não sei se a sociedade portuguesa dispõe, imediatamente, de forças capazes de remover o lamaçal em que foi submergindo. A alternância entre uma vida assente na desistência, e uma vida liberta de imposições, depende da necessidade e do anseio de construirmos novos laços sociais. Os exemplos que vêm de cima não são de molde a criar adeptos. Não confiamos em quase nada e em quase ninguém. Começamos a desconfiar de nós próprios. O indivíduo tem de ter em conta o olhar dos outros, mesmo que negativo: é o que assegura a nossa singularidade. E mesmo isso está a diluir-se, ante a configuração permanente da mentira política, o desprezo pela verdade e a duvidosa dimensão ética de certos jornalistas.»(no DN)
Hoje o Correio da Manhã “descobriu” que houve um blog ( que horror, essa choldra!) que na campanha apoiou explicitamente o PS (que horror, apoiar um partido!) e que, como tal, recorreu ao apoio de pessoas e informações ligadas ao PS e ao Governo (que horror, os nossos governantes participam da disputa política!). O Correio da Manhã descobriu, portanto, a democracia, não é? E a liberdade de expressão, já agora. Começando pela sua e pela liberdade de vender disparates a quem, infelizmente, não está preparado para os identificar.
Já agora: eu fiz parte desse blog, o Simplex, fui candidato do PS e se precisasse naturalmente recorreria a informações do PS ou do governo ou dos seus assessores para argumentar melhor alguma ideia que quisesse expandir. O contrário é que seria absurdo. Pelo menos em democracia e com liberdade de expressão. Simplex.
PS: mas isto tem também uma gravidade que não pode ser escamoteada pela constatação do ridículo da situação. Por um lado, o ataque a João Galamba; por outro, o uso dduardo Pitta faz uma boa recolha das reacções de alguns/algumas de nós do Simplex.
Amanhã este vosso antropólogo e bloguista começa a trabalhar como deputado no Parlamento. Na tradição do trabalho de campo antropológico publicarei aqui um diário do terreno (”Raiders of the Lost Steps“), se bem que em textos mais curtos, na tradição bloguista. Será também através daqui, deste blog, e um pouco para marcar a independência, que o contacto com as pessoas será feito - para lá, claro, das vias institucionais dos pedidos de audiência etc.
A ver se nos encontramos nos passos perdidos.
«(…)Finalmente, num país a sério, o repetido recurso a falácias argumentativas sobre as questões da “responsabilidade individual” já teria sido de tal modo sancionado pública e intelectualmente que certamente as ouviríamos com menos frequência. Já não ouviríamos dizer, por exemplo, que procurar explicar as causas do terrorismo significa defender os terroristas. Que conhecer e compreender as causas do insucesso escolar significa defender o “facilitismo” nas escolas ou impedir o reconhecimento do mérito individual. Que discutir as causas do crime e procurar agir sobre elas impede de alguma forma que se defenda a vigilância das zonas perigosas ou a repressão da criminalidade. Que constatar a baixíssima relação custo/benefício que a investigação sobre o tema mostra entre o investimento em (caras) medidas securitárias e a redução do crime não tem de significar abandonar o policiamento ou reduzir as penas. Ou que constatar que um fenómeno qualquer tem causas sociais, políticas e económicas não significa desculpar comportamentos individuais inaceitáveis. Mas numa coisa Pacheco Pereira tem razão: deste e doutros pontos de vista, Portugal não é mesmo um país a sério. Se fosse, eu não teria de ter escrito este artigo.(…)» (Pedro Magalhães, Público)