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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Arquivo para universidade

O Jason…

sabe do que fala.

Assim, sim

«Pris dans un vent de découverte, le Japon imagine de nouvelles transmissions du savoir, gratuites, civiques, ancrées dans la communauté. La mode bat son plein. Ce “buzz” ne saurait surprendre, à l’heure où l’Archipel succombe à l’attrait des jeux vidéos ludico-éducatifs ou des Open college, des services de cours ouverts à tous mis en place par les universités ou certains groupes des médias pour apprendre une langue, suivre des leçons d’histoire ou s’adonner à une activité artistique. Autant d’initiatives - et souvent de succès - qui illustrent une soif de découverte qui a conduit les universités à profiter du développement d’Internet pour multiplier les cursus à suivre à distance et à tout âge. (…)»

Num dos países mais desiguais da UE e com uma das menores percentagens de licenciados…

…«Portugueses gastam 11% do PIB ‘per capita’ para frequentarem a universidade, mais do dobro do valor de vários países europeus. Mas são os que menos apoios recebem face aos gastos com o ensino. Tese de doutoramento revela que o superior é “elitista” e tem “sérias deficiências” de equidade» Ué… Mas então toda a reforma do ensino superior não era uma coisa fantástica, necessária, urgente? Não estava tudo a ficar melhor? As propinas, Bolonha, o RJIES, as fundações, não era tudo parte do glorioso caminho para a qualificação, a equidade, a sociedade do conhecimento, etcetera-blabla? Não me digam que alguém nos anda a enganar ou anda a enganar-se, que isso é demagogia…

Universidade Neo-Liberal

«(…) Harvey and the other critics of neoliberalism explain that once neoliberal goals and priorities become embedded in a culture’s way of thinking, institutions that don’t regard themselves as neoliberal will nevertheless engage in practices that mime and extend neoliberal principles — privatization, untrammeled competition, the retreat from social engineering, the proliferation of markets. These are exactly the principles and practices these critics find in the 21st century university, where (according to Henry Giroux) the “historical legacy” of the university conceived “as a crucial public sphere” has given way to a university “that now narrates itself in terms that are more instrumental, commercial and practical.” (“Academic Unfreedom in America,” in Works and Days.) This new narrative has been produced (and necessitated) by the withdrawal of the state from the funding of its so-called public universities. If the percentage of a state’s contribution to a college’s operating expenses falls from 80 to 10 and less (this has been the relentless trajectory of the past 40 years) and if, at the same time, demand for the “product” of higher education rises and the cost of delivering that product (the cost of supplies, personnel, information systems, maintenance, construction, insurance, security) skyrockets, a huge gap opens up that will have to be filled somehow. Faced with this situation universities have responded by (1) raising tuition, in effect passing the burden of costs to the students who now become consumers and debt-holders rather than beneficiaries of enlightenment (2) entering into research partnerships with industry and thus courting the danger of turning the pursuit of truth into the pursuit of profits and (3) hiring a larger and larger number of short-term, part-time adjuncts who as members of a transient and disposable workforce are in no position to challenge the university’s practices or agitate for an academy more committed to the realization of democratic rather than monetary goals. In short , universities have embraced neoliberalism.(…)» (ler todo o artigo de Stanley Fish aqui)

Stanley Fish dixit:

«(…) The for-profit university is the logical end of a shift from a model of education centered in an individual professor who delivers insight and inspiration to a model that begins and ends with the imperative to deliver the information and skills necessary to gain employment. (…)». Ler todo o artigo de Stanley Fish aqui.

As coisas tornam-se claras

Deve haver mais de mil cursos de mestrado em Portugal. Mas as TVs acham importante fazer uma reportagem sobre um MBA conjunto da Católica e da Nova. Porque Sócrates foi ao lançamento? Sim, também. Porque o MIT está envolvido? Sim, também. Mas antes e depois disso tudo o que está em causa é a influência de dois poderes cujo estabelecimento fica assim confirmado: o da área empresarial nas universidades; e o das faculdades de economia e gestão daquelas duas universidades portuguesas. O conhecimento social e politicamente recompensado e acarinhado passou a ser o conhecimento aplicado e instrumental sobre as empresas; e as faculdades social e politicamente recompensadas e acarinhadas passaram a ser aquelas que mais consigam articular-se com o poder económico e político. As reformas universitária e científica serviram, aliás, para confirmar, consolidar e incentivar esta tendência.

Uff: 19% de “doutores” ainda é uma elite.

«As projecções apontam para um aumento da população licenciada em todos os países da OCDE. De acordo com os números de 2005, 26 por cento da população da OCDE entre os 25 e os 64 anos tinha uma licenciatura; esse valor poderá aumentar para 36 em 2025. Portugal é dos países que contribuem para que este aumento não seja maior, pois cresce apenas seis pontos percentuais. Em 2025, apenas 19 por cento da população portuguesa terá um diploma. Por seu lado, a Espanha dará um salto de 18 pontos percentuais, para 46 por cento. No entanto, salvaguarda o relatório, estes são apenas cenários que dependem das políticas desenvolvidas.» (Público de hoje).

Pois é. E será que a política de ensino superior que andamos a sofrer é uma “política dos 19%” ou mais uma “política dos 46%”?

O processo de afundação

Pois é, o ISCTE passa a fundação. Mas o que não é dito nessa notícia é como as coisas aconteceram. Para benefício do público, talvez ler esta página. Aliás, a notícia do Público só foi ouvir o grupo dirigente e pró-fundação, cuja visão se resume obviamente nesta frase: «Como grandes vantagens da passagem a regime de fundação, Rui Pena Pires referiu que ela “permite introduzir procedimentos de flexibilidade na gestão orçamental, patrimonial e de pessoal”».

Entretanto, em Barcelona os estudantes ocupam a UAB, contra Bolonha - verdadeiramente a primeira mentirola que nos foi impingida para dar início à empresarialização da universidade pública..

Feliz centenário, Claude

“A long terme, tout penseur célèbre peut être certain de deux choses : de mourir et d’être considéré comme dépassé. Quand le premier événement intervient avant le second, c’est une chance.” La boutade de l’anthropologue américain Marshall Sahlins est citée par sa consoeur brésilienne Manuela Carneiro da Cunha, dans le quotidien Folha de Sao Paulo. Elle ajoute : “Claude Lévi-Strauss aura 100 ans le 28 novembre, ce qui lui a donné le temps d’inventer une troisième possibilité : avoir été considéré comme dépassé par quelques-uns, et être redécouvert de son vivant.”

Homofobias há muitas…

A estranhamente denominada Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida encomendou ao ICS o Inquérito “Saúde e Sexualidade”. O Público achou por bem fazer uma peça de infeliz efeito que foca apenas numa pergunta do inquérito, aliás duvidosa (pois pergunta se as pessoas acham a homossexualidade “errada” e não, por exemplo, se a acham “igual às outras”…). Qualquer pessoa de inteligência média lê esta peça e conclui: 1) afinal só há meia-dúzia de gays e lésbicas; 2) a sociedade portuguesa “votou” contra a homossexualidade. E isto mesmo que a intenção do artigo tenha eventualmente sido a de mostrar quanta homofobia existe entre nós.

Depois do jornalismo, o que se seguirá em termos de “leitura” do Inquérito (ou de “leitura” da “leitura” do Inquérito)? Ou seja: que fará com isto um político conservador, contra a igualdade, ou um político aflito da área do governo - a mesma da encomenda? E a investigação, que ilações tirará dos efeitos do seu conhecimento e dos limites da sua metodologia?

Ou será que ninguém acha mesmo que a homofobia é um/O mal (que é … “errada”), que é estruturante da nossa sociedade, que assenta numa assimetria e desigualdade de género e de orientação sexual e que afecta de facto a vida de muita gente - sejam 1% ou 10% ou 20%?

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