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Os Tempos Que Correm

Miguel Vale de Almeida

Outra vez não (6)

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«(…)A “roubalheira” no Banco Português de Negócios, para usar a controversa expressão de Vital Moreira, tem servido para relembrar a experiência neoliberal portuguesa na sua origem, ou seja, a economia política e moral do cavaquismo. Isto é tanto mais útil quanto muitos dos problemas do país resultam das profundas transformações económicas promovidas pelos governos cavaquistas e das normas sociais que as legitimaram (…)». (João Rodrigues, i)

«A venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom (PT) por 365 milhões de euros, quando o valor contabilístico da mesma era, à época, de 2,3 mil milhões de euros, foi uma das formas encontradas por Ferreira Leite para controlar o défice português em 2002. A urgência em encontrar receitas extraordinárias, à imagem do que viria a acontecer no ano seguinte com a venda de créditos fiscais ao Citigroup - por cerca de 10% do seu valor - pressionou o governo a fechar este acordo com a operadora de telecomunicações.» (i)

«Com base em indícios considerados suficientemente fortes para o tornar suspeito de ilegalidades em dois negócios do grupo da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e do Banco Português de Negócios (BPN), o ex-conselheiro de Estado e ex-ministro de Cavaco Silva Manuel Dias Loureiro foi constituído arguido e ouvido nessa qualidade, ontem, pelos investigadores no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).» (Público)

Flash do passado (outra vez não 5)

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XII Governo: Dias Loureiro era ministro da Administração Interna, Ferreira Leite era Ministra da Educação.

Susto ao quadrado

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Que D*** nos ajude.

[foto do Público]

Reina a ordem nas Honduras

«O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, garantiu nesta terça-feira que há tranquilidade e ordem no país, e pediu aos funcionários públicos que voltem ao trabalho.» Os golpistas, à semelhança dos ditadores, dizem sempre esta frase. Por um lado, porque a “ordem” faz parte das suas fantasias mais profundas; por outro, porque só é preciso dizer isto quando a ordem verdadeira, a da legitimidade, não existe.

Outra vez não (4)

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Iniciativa a acompanhar: “Sei o que fizeste no governo passado“, de Cláudio Carvalho: «Sei bem o que Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes, Paulo Portas e companhia fizeram nos Governos Passados, nomeadamente ao nível da despesa pública e da educação, a título de exemplo. Deixaram o país num verdadeiro reboliço. Atrasado economicamente (sem crise internacional) e atrasado em costumes e valores, sustentados por falsas promessas, por uma política de inverdade… Acredito também que Carlos Santos, João Pinto e Castro, os jovens socialistas, os jovens maiatos, os bloggers do “O Povo é Sereno” e os estimados leitores se lembrem do que estas personagens fizeram (e não fizeram e deviam ter feito) no Governo Passado. Querem ajudar, fazendo o esforço para lembrar aos portugueses, o “filme de terror”, o verdadeiro legado, destas personagens? (Fica o desafio!…)»

E João Galamba dá uma excelente ajuda no Jugular: «Ferreira Leite diz que não podemos onerar as gerações futuras…agora. Recordemos o belíssimo legado resultante do negócio da então ministra das finanças com o Citigroup. Para reduzir o défice, MFL limitou-se essencialmente a pedir um empréstimo ao banco, usando dívidas ao Estado como garantia do dinheiro recebido. Atenção: não vendeu, não alienou, não trocou cobranças futuras com risco por dinheiro certo — limitou-se a diferir despesas e a pagar por isso; e o Citigroup fez uma excelente operação sem risco. Extraordinário negócio…para o Citigroup. (…)»

Outra vez não (3)

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Quem foi a principal responsável pela crise das propinas?

E da PGA?

E pela proliferação de universidades privadas?

MFL: My Fair (not) Lady

Outra vez não (2)

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MFL não surge agora saída do nevoeiro. Ela foi:

1) Secretária de Estado do Orçamento no XI governo, de Cavaco Silva

2) Secretária de Estado Adjunta do Orçamento no XII governo, de Cavaco Silva

3) Ministra da Educação no XII governo, de Cavaco Silva

4) Ministra de Estado e das Finanças no XV governo, de Durão Barroso.

@s leitores/as que quiserem enviar recordações de políticas concretas ou polémicas, podem fazê-lo ao longo dos próximos meses. Serão publicadas aqui.

 

Outra vez não (1)

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Vamos então recordar Ferreira Leite. Comecemos pela repressão policial contra os estudantes da chamada (insultada?) “geração rasca”. Sim, Ferreira Leite, ex-Ministra da Educação no Cavaquismo, não hesitava em lançar a polícia sobre os estudantes. Boa recordação aqui.

Sociologia selvagem

Em mais um extraordinário editorial, José Manuel Fernandes resolve mostrar-nos a sua capacidade para a sociologia selvagem. Interpreta os resultados de uns recentes inquéritos sobre valores afirmando que o crescimento do “individualismo” significa (ou deve significar, no fundo é mais isso…) um afastamento do Estado. Esquece-se de fazer o exercício mais básico de todos: “será que há um caso que possa contradizer a minha interpretação?” Há, e não é só um: vá lá ver se o individualismo escandinavo não cresceu a par da exigência de bons serviços públicos e de solidariedade social através do Estado.

(Aliás, as interpretações destas coisas são muito engraçadas, porque nunca definem primeiro os conceitos que usam. A 1ª página do Público diz “Portugueses estão mais individualistas mas com menos preconceitos”. Porquê “mas”? Porque o senso comum confunde individualismo com egoísmo. Quando, na realidade, a hipótese mais provável sociologicamente é a de os portugueses terem menos preconceitos por estarem mais individualistas).

Sintam-se à vontade para usar…

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…temos 3 meses para reavivar a memória e desmascarar este embuste…

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